Nasceu um pouco antes da pandemia da Covid-19 ser declarada e apontou a mira à Margem Sul de Lisboa, mais concretamente ao Montijo. A Portugal Slow Living, uma promotora imobiliária nacional que “pensa no bem-estar e qualidade de vida” das pessoas, projetando “casas com escolhas criteriosas a nível da sustentabilidade e eficiência energética”, segundo se lê no site da empresa, vai lançar três projetos residenciais no Montijo, revela ao idealista/news Catarina Teixeira Lozano, uma das três sócias da empresa. “Há muitos projetos, muitos investimentos pensados para o Montijo [por vários players]. Viver no Montijo é uma paz, um sossego, por isso escolhemos o centro da cidade, porque há muitos terrenos à venda”, refere, justificando a aposta na cidade do distrito de Setúbal.
Vamos por partes. Foi no Salão Imobiliário de Portugal (SIL) 2022, que decorreu recentemente em Lisboa, que estivemos à conversa com Catarina Teixeira Lozano, que é francesa e filha de pai português, mas vive em Espanha. Segundo a responsável, o nascimento da Portugal Slow Living assenta num objetivo muito claro: “A nossa ideia passa muito por mudar o estilo de vida, ir para uma ‘slow life’, simplificar a vida. E Portugal representa isso, nomeadamente para os estrangeiros [que olham para o país como um bom local para viver]”.
Aposta na sustentabilidade
Sustentabilidade é palavra de ordem um pouco por todo o mundo, e o setor imobiliário não foge à regra. Catarina Teixeira Lozano adianta ao idealista/news que a promotora foi criada com esse “mindset”, de inovar e trazer qualidade também em termos construtivos para Portugal.
“A empresa nasceu um pouco antes da pandemia. Pensámos: as pessoas que saem de Lisboa já descobriram que as casas não têm qualidade, e decidem sair da capital para ter casas com áreas que permitam também conciliar a vida familiar com o teletrabalho. Então apostámos em áreas generosas, com terraço, espaço exterior, que é o que as pessoas procuram”, comenta, salientando que a promotora, nos três projetos que está a desenvolver no Montijo, vai apostar forte “na qualidade do conforto das casas, no conforto térmico e acústico e a nível da poupança de energia”.
“Decidimos ter esse posicionamento, ter uma visão de traçabilidade das matérias-primas. A ideia é fazer casas, mas tendo em conta todos os materiais a usar, e que a escolha seja coerente com estes valores. Temos de pensar na traçabilidade e no impacto no meio ambiente, e depois favorecer matérias-primas portuguesas, marcas portuguesas”, acrescenta.
Três projetos residenciais a nascer no Montijo
Baixa Montijo, Atelier e Townhouse. Assim se chamam os três projetos que a Portugal Slow Living está a desenvolver no Montijo. Catarina Teixeira Lozano explica, um a um, em que consistem e em que fase se encontram:
Baixa Montijo
“A empresa nasceu com este projeto. Adquirimos há dois anos o terreno, que é uma antiga fábrica de porcos no centro do Montijo. As ruínas estão a estragar um bairro muito popular na zona, e decidimos trazer um conceito de cidade, porque é um bairro muito característico. Será um empreendimento muito moderno, com vãos de três metros, muita luz solar e vistas para o rio nos últimos andares. Vai transformar completamente aquela zona. O projeto está aprovado, estamos a finalizar o concurso da empreitada para iniciar a demolição da fábrica, em junho. E em julho começará a obra, que vai decorrer ao longo de 18 meses. São 24 apartamentos, do T1 ao T4 duplex”, conta.
"Adquirimos há dois anos o terreno, que é uma antiga fábrica de porcos no centro do Montijo"
No que diz respeito aos preços (de pré-lançamento), os T1, que terão cerca de 70 metros quadrados (m2) de área útil, começam nos 185.000 euros. “Vão até 650.000 euros, os duplex, que têm 220 m2 habitáveis”, conta.
Atelier
Sobre o Atelier, a responsável diz que o futuro projeto vai nascer num armazém que está em frente à Câmara do Montijo. “É um edifício muito emblemático que está em muito mau estado. Vamos replicar toda a fachada, elevando o telhado para fazer no rés do chão e primeiro andar lofts. São apartamentos mais para quem trabalha em casa e que podem evoluir em espaço, ou seja, apartamentos mais modulares, que a pessoa pode adaptar. Vão ser bastante personalizáveis nesse sentido. Serão 14 lofts, no rés do chão e primeiro andar, e oito duplex”, refere.
Quanto podem custar estes imóveis? “Ainda não está definido, mas não queremos que sejam apartamentos elitistas, mas sim casas acessíveis para uma primeira habitação”.
O Atelier tem um Pedido de Informação Prévia (PIP) aprovado, estando a promotora a desenvolver as especialidades: “Esperamos poder iniciar a obra dentro de 12, 18 meses”.
Townhouse
Já o projeto Townhouse vai nascer numa zona mais afastada no centro do Montijo. “Vai ser mais perto das portas da cidade, onde estão a ser construídos muitos edifícios. É um bairro mais antigo, são moradias, parece uma pequena aldeia, e decidimos desenvolver townhouses. São pequenas moradias em banda, que permitem ver toda a cidade”, adianta, sublinhando que estão em causa 35 moradias que terão, entre outras comodidades, rooftop e piscina.
A promotora imobiliária Portugal Slow Living investiu cerca de 25 milhões de euros nos três projetos no Montijo.
Ao todo, os três projetos prometem trazer 46 apartamentos ao centro do Montijo e 35 moradias, no empreendimento Townhouse. Relativamente ao valor investido, são cerca de 25 milhões de euros.
Portugueses e franceses no radar
Quando questionada sobre se a oferta residencial que vai nascer no Montijo com a construção destes três empreendimentos está direcionada para portugueses, a sócia da Portugal Slow Living diz que sim, mas abre a porta também aos franceses: “No estudo de mercado que fizemos, 80% dos compradores no Montijo são portugueses, mas há cada vez mais investidores estrangeiros. Acreditamos que haverá também compradores de origem francesa. Mas realmente para os portugueses os preços das casas vão ser muito competitivos e a qualidade será muito boa”.
Catarina Teixeira Lozano diz não ter dúvidas de que o Montijo, tal como outras zonas da Margem Sul de Lisboa, estão e vão continuar a crescer. “Há muitos projetos, muitos investimentos a surgir, nomeadamente no Montijo. Está a ser desenvolvida uma clínica da CUF, a Mercadona escolheu a cidade como localização na Península de Setúbal e há um hotel que também está a ser desenvolvido”, exemplifica.
Significa isto que os novos projetos residenciais da Portugal Slow Living vão dar mais vida ao Montijo? “E trazem outra população, o que vai transformar também o pequeno comércio, que está um pouco deprimido”, assegura.
Futuro passa por projetos de reabilitação em… Lisboa
O contexto geopolítico atual de guerra na Ucrânia está a contribuir para disparar a inflação e o custo de vida, o que poderá fazer com que o preço das casas aumente ainda mais, até porque os custos de construção estão também a subir. Catarina Teixeira Lozano antecipa um impacto no preço das casas, nomeadamente com o aumento dos custos de construção, mas deixa um alerta, mostrando-se algo otimista: “As pessoas não vão deixar de comprar casas, porque precisam delas para viver. E para os investidores Portugal continua a ser uma oportunidade, parece que está longe de tudo e protegido”.
"Estamos a analisar vários projetos em Lisboa, mais de reabilitação. Alguns muito emblemáticos no centro da cidade"
E será que o futuro da Portugal Slow Living passa apenas pelo Montijo e pela Margem Sul de Lisboa? “Estamos a analisar vários projetos imobiliários em Lisboa, mais de reabilitação. Alguns muito emblemáticos no centro da cidade. Os nossos investidores também são franceses e o que nos une é mesmo o amor por Portugal”, remata.
Comprar ou arrendar casa no Montijo: o mercado à lupa
São muitas as famílias portuguesas que estão a optar por comprar ou arrendar casa em zonas mais afastadas do centro das cidades, neste caso de Lisboa. Neste contexto, a Margem Sul parece estar a ganhar protagonismo, como constatámos nesta reportagem sobre o Barreiro.
Aumentar a oferta de casas no mercado que possam ser habitadas (compradas ou arrendadas) por portugueses é também uma das missões a que se propõem muitas promotoras imobiliárias, que investem e/ou apostam nas zonas mais periféricas e que podem, assim, praticar preços mais acessíveis que os verificados nos centros das metrópoles. Fazemos agora um raio x aos preços praticados no Montijo, tendo por base dados do idealista/data.
Os números não deixam margem para dúvidas: no espaço de um ano, em abril de 2022 face ao mesmo mês do ano passado, os preços das casas para vender dispararam quer em termos unitários por metro quadrado (m2), quer em termos totais: 6,3% e 8,7%, respetivamente. Significa isto que o preço unitário por m2 fixou-se nos 1.763 euros e o total nos 295.434 euros.
Em alta está também o mercado de arrendamento, tendo o valor pedido pelos senhorios aos inquilinos de renda subido em flecha num ano: o preço unitário disparou 13,2% em abril de 2022 face ao período homólogo, para 7,8 euros por mês por m2, e as rendas cresceram 22,8%, para 930 euros.
Procura em alta e pouca oferta para arrendar
No mercado de compra e venda, os dados do idealista/data permitem concluir que a oferta de casas correspondeu, de certa forma, à procura. Ou seja, no último ano, a procura aumentou 1,8%, sendo que este indicador registou um crescimento inferior ao da oferta, que foi de 7,7%.
O mesmo não aconteceu no mercado de arrendamento, com a procura a exceder em muito a oferta, que até decresceu em termos homólogos: a procura aumentou 100,7% num ano, em abril de 2022 face ao mesmo mês do ano passado, enquanto a oferta recuou 32,9%, o que poderá significar que este é um segmento de mercado a ter em conta pelos vários players do setor, nomeadamente pelos mediadores e promotores imobiliários.
Para poder comentar deves entrar na tua conta