A agricultura regenerativa é uma forma de agricultura que procura alcançar um reequilíbrio entre o homem e a natureza. Sem dúvida, o papel da nossa espécie ao longo do tempo alterou a relação entre o nosso ambiente e nós próprios, pelo que, com base nesta afirmação, esta forma de agricultura visa implementar medidas que promovam práticas mais sustentáveis baseadas na simbiose entre todas as espécies que habitam um território.
Isto parece ter pouco a ver com a arquitetura, mas não é o caso. Pelo menos, se olharmos para um novo projeto, concebido pelo estúdio japonês Tono, que foi desenvolvido em Yakushima, uma ilha no sul do Japão. Aqui, os princípios da agricultura regenerativa foram extrapolados para construir habitações que respeitam totalmente o ambiente. É a casa de sonho desta semana.
Com o nome Sumu, que significa "viver" e "tornar-se claro", o projeto representa a necessidade de viver em equilíbrio com a natureza. E para o local escolhido, não poderia ser de outra forma, rodeado de montanhas e de um rio que desagua na costa oceânica a pouca distância. O material escolhido, também de acordo com estes princípios de sustentabilidade, foi o cedro japonês, predominante na zona.
Embora baseada num design minimalista e tradicional, a cooperativa de habitação, que é uma parceria de oito proprietários, oferece soluções habitacionais modernas e inovadoras que mantêm uma relação simbiótica com o próprio solo que as sustenta. Aqui reside a semente da arquitetura regenerativa.
O ambiente subterrâneo facilita as necessidades do micélio, uma estrutura fúngica semelhante a uma raiz que desempenha um papel ecológico fundamental, atuando como uma rede de comunicação entre as raízes das árvores abaixo da superfície. Quando devidamente nutrido, filtra o solo e liberta nutrientes para a área circundante. Isto reduz a erosão, a compactação do solo e a extração de nutrientes essenciais.
Para isso, os projetistas conseguiram enterrar troncos carbonizados sob as fundações das casas. O carbono adicional promove o crescimento do micélio. Em troca, o micélio reforça o crescimento das raízes das árvores sob os edifícios, adicionando apoio adicional, estabelecendo uma verdadeira relação simbiótica com os humanos.
A localização dos edifícios não foi acidental. Pelo contrário, responde a estes princípios de sustentabilidade. Foram cuidadosamente posicionados para maximizar os benefícios da água próxima e do fluxo de ar contínuo. Foram orientados de forma a tirar o máximo partido das vistas circundantes para incentivar uma ligação com a natureza. Esta ideia é ainda reforçada por passadiços ao ar livre entre os camarotes e as áreas comuns.
Os designs de interiores abraçam a simplicidade em madeira e gesso de origem local que refletem elementos da floresta e da linha costeira. Além disso, Sumu funciona com energia renovável e está 100% fora da rede. Está equipada com energia solar e depende da lenha local para o aquecimento. Os elementos de design ecológicos realçam a eficiência energética através de uma envolvente hermética e de um forte isolamento.
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