O prémio inProjecta Creative Call atribuído na 2ª edição do inProjecta, que decorreu entre os dias 26 a 28 de fevereiro na Exponor – Feira Internacional do Porto, foi atribuído ao candeeiro “Matter”, da designer de produto Ana Lima. Trata-se de um candeeiro feito com resíduos de café, cuja matéria-prima principal e que serviu de inspiração ao projeto foi a chamada pele de prata, um invólucro fino e brilhante que protege as sementes.
Em comunicado, a criadora desta obra galardoada explica que a forma e superfície desta luminária “reinterpretam o instante em que a última gota de café cai na chávena, gerando ondas concêntricas que se expandem sobre o líquido”. A esta “micro-topografia efémera”, que foi fixada e transformada em matéria, foi incorporada cerca de 10% de cortiça, juntando, assim, os desperdícios de uma segunda indústria à solução criativa encontrada.
A indústria do café gera, a nível mundial, aproximadamente 400 mil toneladas de pele de prata, um resíduo de elevado teor de fibra solúvel, cafeína e compostos antioxidantes. E foi em prol da circularidade e da redução da pegada ambiental que foi criado este candeeiro, uma peça ‘statement’ “contra a cultura do descartável”. A luminária foi produzida localmente, “a partir de blocos cilíndricos, secionados e esculpidos através de processos que reduzem o desperdício e maximizam o aproveitamento” do principal composto.
Já o 2º prémio foi atribuído ao designer de produto Rúben Silva, através do banco “Wabi”, uma peça trabalhada à mão por artesãos portugueses e que combina técnicas tradicionais de marcenaria, burel português e corda natural. O “Wabi” foi inspirado nos princípios de Wabi-Sabi (simplicidade e beleza natural dos materiais). O acabamento sobre a madeira foi feito com óleos isentos de solventes.
Organização e expositores fazem balanço positivo
A edição deste ano da inProjecta – Furniture, Hotel and Interior Design teve um balanço bastante positivo, tanto por parte da organização como as empresas expositoras.
De acordo com Rui Rocha, da ARC – Indústria de Mobiliário, o inProjecta 2026 permitiu “cativar várias oportunidades de negócio, com potencial de concretização para os próximos meses”. O responsável revela que cerca de 80% dos profissionais que passaram pelo stand da empresa de Paredes eram lojistas, enquanto 20% representava o segmento de hotelaria. “Perto de 50% das encomendas foram de novos clientes”, disse ainda Rui Rocha.
Por sua vez, Dualda Machado, da Animóvel, que trabalha madeira há mais de seis décadas em Paços de Ferreira, admite que a inProjecta permitiu confirmar algo que a empresa já tinha percebido e para o qual tem desenvolvido um esforço comercial redobrado: "Há mercado nacional muito significativo, inclusive novo – na área de projeto e arquitetura -, e potencial relevante para explorar”.
“Tivemos muitas encomendas durante a feira e contactos que poderão ser concretizados mais à frente, inclusive internacionais. E atendemos clientes com diferentes perfis, logo, o nosso balanço não poderia ser mais positivo”, acrescentou a responsável.
Já Anabela Borges, da Maialamp, afirma que a feira correu “muito bem” à empresa e que “foram três dias muito interessantes”. “Trabalhámos muito a área de projeto e conseguimos cativar contactos com grande probabilidade de efetivação, sobretudo na área de hotelaria. Uma das oportunidades de trabalho, à medida, poderá levar-nos a um empreendimento em Cabo Verde, mas a participação na feira da Exponor permitiu-nos captar outras leads”, revela.
Também a AMR, através de Arnaldo Rodrigues, afirma ter desenvolvido “bons contactos - qualificados e com potencial de negócio - durante os três dias” e conseguido “reativar clientes e trazer novos, na área de decoração e arquitetura, sobretudo”.
“Tivemos um ótimo feedback dos profissionais, sobretudo designers, que passaram pelo nosso espaço na inProjecta. Sentimos dos contactos feitos que poderemos vir a ter várias encomendas. Tanto de novos clientes como de clientes que já fazem parte da nossa carteira”, afirma Isabel Garcês, da Newspace – Solid Surface.
“Foi a nossa primeira participação da inProjecta e correu tudo muito bem do ponto de vista organizativo. A participação foi proveitosa. Cativámos bons contactos e com potencial de negócio”, sublinha, por sua vez, Daniel Mota, da Brifour.
Por fim, Bela Alves, da Tábula Furniture, faz igualmente um balanço positivo da feira, revelando que conseguiu reunir “contactos interessantes nas áreas de projeto e gabinetes de arquitetura” e deseja que a inProjecta “continue a melhorar”.
A inProjecta – Furniture, Hotel and Interior Design regressa à Feira Internacional do Porto no próximo ano.
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