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Fim das moratórias preocupa Banco de Portugal

O governador do regulador, Carlos Costa, acha necessário prolongar o período das moratórias para evitar o "efeito precipício".

Photo by Josh Appel on Unsplash
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Autor: Redação

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, mostra-se preocupado com o “efeito precipício” que o fim das moratórias concedidas às empresas por causa da crise da Covid-19 poderá ter, nomeadamente, porque estas “não vão ser capazes de reembolsar de uma só vez, vão ter que diluir no tempo”. O responsável aponta uma possível solução, explicando o que vale a pena olhar para a opção de garantia pública associada a créditos, um reescalonamento da dívida, ao longo de seis anos, para dar a possibilidade de as empresas normalizarem a sua situação, depois da crise, e minimizar os riscos para o sistema financeiro e para a economia.

O supervisor defendeu também, num webinar organizado pela Abreu Advogados, e citado pelo ECO, que “há que rever o quadro institucional que acompanha o financiamento do tecido empresarial”, revelando ainda estar de acordo com o prolongamento do período de moratórias.

“Havia todo o interesse em prolongar período da moratória de forma clara para evitar o efeito precipício”, disse Carlos Costa, referindo que tal deve ser feito até junho de 2020, para evitar que seja considerado malparado. “Temos que antecipar o risco de essas medidas chegarem a termo, temos de estar preparados”, alertou, avisando ainda que há uma “necessidade de conservar capital dos bancos”, uma vez que será necessário para a retoma da econommia no pós-covid.

Banca já recebeu mais de 300 mil pedidos de moratórias

Os bancos já receberam mais de 300 mil pedidos de moratórias, segundo dados divulgados por Norberto Rosa, secretário-geral da Associação Portuguesa de Bancos (APB), no Parlamento. De acordo com o responsável, citado pelo Jornal de Negócios, o total de pedidos de moratória "corresponde a créditos superiores a 25 mil milhões de euros (mais de 10% do total do crédito concedido)”.

O banqueiro lembrou, de resto, que "os bancos têm dito 'presente' nesta crise e têm demonstrado, desde o início, que estão absolutamente empenhados no apoio às famílias e empresas”, e que assim continuarão “na fase que se segue, agora, de recuperação da economia".