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Investidores oportunísticos piscam o olho ao imobiliário nacional no pós-Covid-19

Estes investidores, como acontece “em qualquer crise”, serão “os primeiros a aparecer”, antevê Jorge Marrão, ‘partner’ da Deloitte.

Jorge Marrão, 'partner' da Deloitte / LinkedIn de Jorge Marrão
Jorge Marrão, 'partner' da Deloitte / LinkedIn de Jorge Marrão
Autor: Redação

A pandemia do novo coronavírus está a deixar marcas no setor imobliário. Uma das consequências da Covid-19 pode passar pela descida do preço das casas, que encareceram muito nos últimos tempos – no quarto trimestre de 2019, o preço mediano das casas vendidas em Portugal fixou-se em 1.081 euros por metro quadrado (m2), mais 8,5% que no período homólogo. Para Jorge Marrão, ‘partner’ da Deloitte, esse fenómeno vai abrir oportunidades para os investidores oportunísticos.

“Os investidores estrangeiros vão estar expetantes em relação às oportunidades que podem surgir resultantes da própria quebra do PIB. Podemos, até de forma abrupta, voltar a ser interessantes para os investidores. Mas é importante lembrar que a crise que tivemos em 2008, que tinha por padrão o imobiliário, foi também o imobiliário que tirou o país da crise. Temos de ser mais otimistas, porque somos e seremos um país atrativo para estrangeiros virem a Portugal”, disse o reponsável, em entrevista ao Jornal de Negócios.

Segundo Jorge Marrão, os investidores oportunísticos, como acontece “em qualquer crise”, serão “os primeiros a aparecer”. “Desta vez será exatamente igual. São os que querem assumir mais risco, querem antecipar-se. Portanto estão dispostos a comprar a preço mais baixo, mas assumindo mais risco para os seus clientes. E é bom haver estes vários tipos de investidores porque ao mesmo tempo que trazem os capitais para comprar os ativos, depois também querem valorizar aquilo que compraram”, referiu.

Estes investidores oportunísticos podem, de resto, “fazer com que o país volte rapidamente a níveis idênticos aos” que se verificavam no pré-Covid-19, acrescentou o especialista. “[Eles] querem que a recuperação seja o mais rápida possível para realizar as suas mais-valias. Têm uma função útil, que é, na prática, comprar ativos que podem ser desvalorizados, mas que podem valorizar rapidamente. E é nesse momento que surgem os outros investidores, de risco mais baixo, e que começam a fazer as suas compras normais”, explicou.