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Construção: federação exige criação de “estratégia global que defenda a saúde dos trabalhadores”

Rastreios à Covid-19 a todos os trabalhadores do setor “são essenciais, mas não bastam”, diz a FEVICCOM.

Flávio Santos on Unsplash
Flávio Santos on Unsplash
Autor: Redação

A Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM) considera que “os rastreios a todos os trabalhadores” do setor “são essenciais, mas não bastam”. A entidade exige mais, nomeadamente “uma estratégia global que defenda a saúde dos trabalhadores”. De recordar que muitos dos recentes casos de Covid-19 que estão a surgir em Portugal, nomeadamente em Lisboa, são em obras, havendo “centenas de infetados nos locais de trabalho, num setor que emprega quase meio milhão de trabalhadores”.

“Os rastreios a todos os trabalhadores são essenciais, mas não bastam. Exige-se uma estratégia global, que tenha em conta as propostas dos sindicatos do sector, que defenda a saúde dos trabalhadores, que garanta a implementação e manutenção de procedimentos de segurança e de higiene nos locais de trabalho pelas entidades patronais e a defesa do emprego, dos salários e dos direitos dos trabalhadores”, refere em comunicado a FEVICCOM.

Segundo a fededação, o setor da construção e atividades imobiliárias manteve em funcionamento a maioria das suas empresas (91%) desde o início da pandemia de novo coronavírus, “expondo os trabalhadores à obrigação de trabalhar todos os dias em condições de elevada exposição ao contágio da Covid-19”.

Neste setor de elevada precariedade e subcontratação, de baixos salários e falta permanente de condições de segurança e higiene, os trabalhadores têm continuado a exercer a sua atividade, na maioria dos casos com total ausência de equipamentos de protecção individual e higiene (máscaras, luvas, gel desinfetante) e de garantia da distância física mínima indicada pelas autoridades de saúde, quer nas obras, quer nos transportes privados das empresas”, lamenta a federação, acrescentando que “os alertas e exigência de medidas por parte dos trabalhadores e dos sindicatos começaram logo no início da pandemia”.

“Em simultâneo com as más condições de trabalho, verificaram-se também despedimentos ilícitos, caducidades antecipadas de contratos a termo e falta de pagamento de salários e subsídios, que têm originado diversos conflitos e uma intervenção sindical constante”, lê-se no documento.