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"A Uniplaces pode crescer 10, 15 vezes nos próximos anos"

Autores: @Frederico Gonçalves, Luis Manzano, Ione Ibabe

Uma bola de pingue-pongue é a música de fundo que acompanha o ritmo da descontraída conversa que tivemos com Miguel Santo Amaro nos novos e chamativos escritórios da Uniplaces na Estação do Rossio, em Lisboa. É desta forma, serena e frontal, que o jovem português de 27 anos, um dos três fundadores da startup portuguesa – a par do argentino Mariano Kostelec e o britânico Ben Grech –, conta ao idealista/news que a empresa cresceu “quase 400% este ano”.

O jovem empreendedor considera, no entanto, que a plataforma online para alojamento de estudantes universitários, apesar deste êxito, tem ainda um longo caminho a percorrer: “Sabemos aquilo que temos de fazer para crescer (...).  A Uniplaces pode dar um salto para uma grande empresa tecnológica, até lá ainda temos muito por fazer”.

O que é a Uniplaces e como surgiu?
É uma plataforma de reserva online que permite a qualquer estudante de todo o mundo vir para a Europa, onde temos mais de 20.000 imóveis, através de dois ou três cliques e assim reservar a sua próxima casa. Somos recomendados por mais de 100 universidades na Europa.

A ideia começou em 2012 através de três sócios, em três cantos diferentes do globo onde estávamos a estudar. Vimos a tendência destas plataformas como o Booking, e outras. E vimos plataformas como o idealista a crescer nos mercados europeus... percebemos que havia uma oportunidade de facilitar ainda mais a reserva no alojamento universitário.

Esperavam ser um caso de sucesso, ou pelo menos assim tão repentinamente?
Não é tão repentino assim. Estamos no mundo tecnológico, com modelos altamente escaláveis, mas já estamos no mercado desde 2012. Temos aprendido a lidar com diferentes tipos de oferta. Vemos senhorios, que trabalham connosco há quatro, cinco anos, que têm visto crescer os seus portefólios em 20, 30 casas e hoje têm mais de 300, 400 casas. Em Inglaterra temos senhorios com mais de 40 mil quartos. Tem sido interessante acompanhar o crescimento muito acelerado da própria indústria. 

"Queremos consolidar o mercado europeu como um todo e não perder a oportunidade na América do Sul, no Brasil, onde já temos alguns contactos, e nos EUA, que é sempre uma porta fantástica por explorar".

O desenvolvimento da plataforma permitiu-nos escalar para mais de 165 países, onde os estudantes hoje já reservam para as mais de 30 cidades que temos na plataforma. Temos cerca de 150 colaboradores e acreditamos que podemos crescer ainda muito mais nos próximos anos. Também temos visto que Lisboa tem crescido muito, acho que estamos apenas na ponta desse iceberg e que temos muito mais para crescer. 

A Uniplaces tem escritórios em que cidades?
Até ao final do ano passado estávamos em Lisboa e Londres e acabámos por abrir mais escritórios em Espanha, Itália e Alemanha, nomeadamente em Madrid, Barcelona, Milão e Berlim. Já temos mais de milhão e meio de noites reservadas através da plataforma. Queremos consolidar o mercado europeu como um todo e rapidamente não perder a oportunidade do que se está a passar na América do Sul, no Brasil, onde já temos alguns contactos, e nos EUA, que é sempre uma porta fantástica por explorar.

A aposta passa por esses mercados não europeus?
Temos sem dúvida interesse e vemos que a missão passa por construir uma marca global de tecnologia para dominar o mercado universitário. Começar sempre com o alojamento e depois evoluir para outros segmentos onde os estudantes têm necessidade que um intermediário como nós os ajude e facilite a experiência. 

Como funciona o vosso serviço? Contactam senhorios e são contactados por eles?
Se um senhorio for à plataforma poderá pedir para se registar e fazer um esboço, um draft daquele anúncio, e depois a nossa equipa passa por um processo de controlo de qualidade, onde é aprovado, inserido e publicado na plataforma. 

Há também o contacto através da nossa equipa, porque muitas vezes vemos por canais online e offline pessoas que têm interesse em arrendar e muitas vezes convencemos os próprios senhorios que têm casas muito interessantes para estudantes e convencêmo-los a usar a Uniplaces como um outro canal, não é em exclusivo, é “performence base”, ou seja, pagam apenas uma comissão pela reserva depois dela ser confirmada. Nós fazemos todo o trabalho de angariação e publicação do anúncio e toda essa publicação é gratuita.

"A missão passa por construir uma marca global de tecnologia para dominar o mercado universitário".

O modelo de negócio passa então por essa comissão que ganham?
Essa pequena comissão, no fundo, a Uniplaces negoceia-a diretamente com cada senhorio e é muito dependente do volume das casas, mas o valor é sempre muito competitivo em relação aos outros canais que há no mercado, nomeadamente agências imobiliárias. Somos sempre mais baratos e a ideia é prestar um melhor serviço sem custo à cabeça. 

Quartos ou casas, por onde passa a aposta?
Temos muito interesse em conseguir também quartos para dar flexibilidade ao estudante, em “prize points” também diferentes. Temos algum tipo de segmento de Erasmus que está a procura de algo com muita qualidade e queremos alcançar esse tipo de segmento, mas também temos estudantes em Lisboa num “prize point” entre 250 e 300 euros, e é preciso ter casas suficientes para eles.

"Temos quase 50.000 unidades por toda a Europa e em Lisboa temos cerca de 5.000 unidades, que podem ser quartos ou imóveis completos".

Quantos imóveis estão anunciados na Uniplaces?
Temos quase 50.000 unidades por toda a Europa e em Lisboa temos cerca de 5.000 unidades, que podem ser quartos ou imóveis completos. Há cada vez mais estudantes a vir em grupo para conseguirem melhores preços, daí termos já muitas casas. Diria que cerca de 50% dos imóveis são completos, para permitir que a pessoa possa reservar um quarto ou um imóvel completo. E trabalhamos só com imóveis mobilados. Muitas vezes temos contas incluídas, como por exemplo internet, para facilitar a mudança do estudante.

A Uniplaces gere um milhão de euros por semana? É muito dinheiro...
Durante agosto e setembro gerávamos mais de um milhão de euros por semana, é verdade. Temos tido a felicidade de conseguir crescer de ano para ano a um ritmo muito assinalável, crescemos quase 400% este ano. Tem sido fantástico conseguir gerir isso internamente. A nível operacional estamos muito melhor que há um ano, temos crescido a equipa e estamos a atrair pessoas com mais experiência. Em termos de faturação, estamos a crescer mais três vezes que no ano passado.

"Temos tido a felicidade de conseguir crescer de ano para ano a um ritmo muito assinalável, crescemos quase 400% este ano. Tem sido fantástico conseguir gerir isso internamente".

O que se pode esperar da Uniplaces no futuro? Quais são as expectativas?
A Uniplaces tem uma base sólida que lhe permite crescer. O mercado ainda está muito por explorar, e a nível mundial tem capacidade para ter várias Uniplaces. A empresa pode crescer 10, 15 vezes nos próximos anos, temos de trabalhar nessa direção e acreditamos que sabemos aquilo que temos de fazer para crescer. E alcançando essa base a Uniplaces pode dar um salto para uma grande empresa tecnológica, até lá ainda temos muito por fazer.

Sente-se orgulhoso com o sucesso alcançado?
Quando voltei para Lisboa a ideia era criar um grupo de tecnologia de referência mundial em Portugal, e o que se via é que muitas das startups a começar cá tinham sede fora, pelo que Lisboa e Porto acabavam por ser uma equipa de suporte. Uma coisa que nos orgulha é conseguirmos ter em Lisboa equipas estratégicas, a direção está cá, o que nos motiva muito.