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Galerias Romanas de Lisboa "abrem portas” até domingo. Serão visitadas por 3.500 pessoas

(Foto: Propriedade da CML - Museu de Lisboa e autoria de José Avelar).

As Galerias Romanas de Lisboa foram descobertas no subsolo da Baixa de Lisboa em 1771, na sequência do Terramoto de 1755 e posterior reconstrução da cidade, mas terão sido construídas no século I, ou seja, há mais de dois mil anos. Só estão abertas ao público duas vezes por ano – durante três dias cada –, a primeira das quais hoje, amanhã e domingo. As inscrições são feitas por marcação e desta vez já não as poderás conhecer, visto que esgotaram em tempo recorde. Serão 3.500 os felizardos a descer ao submundo da capital – e 8.500 ficaram em lista de espera.

A entrada é feita através de um pequeno alçapão que fica momentaneamente aberto no meio da Rua da Conceição, junto ao número 77, uma transversal à Rua da Prata. Depois é descer a estreita escadaria e recuar ao passado.      

“É um monumento magnífico” e que serviu e serve de alicerce aos prédios pombalinos, explicou a arqueóloga Lídia Fernandes, durante uma visita guiada a jornalistas às Galerias Romanas de Lisboa. “Inicialmente pensava-se que seriam umas termas, mas não, são mesmo um criptopórtico”, explicou.

Um criptopórtico é uma “solução arquitetónica que criava, em zona de declive e pouca estabilidade geológica, uma plataforma horizontal de suporte à construção de edifícios de grande dimensão, normalmente públicos, como é o caso do Forum da cidade, que teria sido suportado por este criptopórtico”, lê-se no site da Câmara Municipal de Lisboa.

Ao longo do ano o espaço costuma estar “inundado” de água – chega até uma altura de 1,5 metros. Uma situação que se deve à existência de uma fratura numa das galerias, sendo desta fenda que brota a água proveniente do lençol freático, inundando toda a área das galerias.

Esta é uma das razões pelas quais só se realizam duas visitas anuais ao espaço. “Fazer estas visitas envolve muita logística, nomeadamente com os bombeiros e com a proteção civil. Os bombeiros estão aqui desde segunda-feira a bombear água”, contou Lídia Fernandes, confirmando que toda a estrutura está “em excelente estado de conservação”. “Se não fosse a fratura estaria a 100%”, referiu.

Segundo a responsável, a fratura, que é bem visível, não tem sofrido alterações com o passar dos anos, sendo um problema muito antigo, provavelmente ocorrido na sequência de um grande terramoto no século IV, pelo que “sobreviveu” ao sismo de 1755 e a outras catástrofes naturais. “Estamos em segurança aqui em baixo. É talvez o sítio mais seguro no caso de haver um sismo”, frisou.

“É um fenómeno”

Joana Sousa Monteiro, diretora do Museu de Lisboa, revelou ao idealista/news que se inscreveram para este período de visitas de três dias às Galerias Romanas de Lisboa cerca de 3.500 pessoas, sobretudo portugueses, apesar de também haver estrangeiros.

Segundo a responsável, visitar este monumento “é um fenómeno”, o que justifica o elevado número de inscrições. As visitas são curtas, duram cerca de 20 minutos, e o preço do bilhete é um euro, sendo que crianças até 12 anos não pagam. “É um valor simbólico e até setembro do ano passado a entrada era gratuita”, lembrou Joana Sousa Monteiro.

Em lista de espera ficaram cerca de 8.500 pessoas que se inscreveram para fazer a visita num destes três dias de abril, mas que não foram a tempo. Terão uma nova oportunidade em setembro, quando voltará a ser possível descer ao submundo da capital.