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Proprietários do AL confiam na retoma e descartam mudar para arrendamentos longos

Pandemia provou significativas quebras de ocupação e receitas, mas setor está otimista e acredita que até ao fim de 2021 a situação estará normalizada.

Photo by Etienne Girardet on Unsplash
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Autor: Redação

O Alojamento Local (AL) é uma das principais vítimas da pandemia, em Portugal, e na generalidade dos países onde este segmento de turismo estava em alta. Mas a crença no potencial do negócio, no médio prazo, a nível nacional mantêm-se. Os gestores e proprietários de AL confiam na retoma e descartam mudar para arrendamentos longos. Já o mercado de média duração é visto no setor como uma alternativa viável nos próximos tempos, para compensar os efeitos da crise atual.

Um inquérito realizado pelo Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território do ISCTE (Dinâmia’Cet), e citado pelo Público, concluiu que a grande maioria dos titulares de AL não tem intenção de deixar o negócio da curta duração e quase metade acredita que o mercado estará normalizado até ao fim do próximo ano. “Apesar de todas as perdas, apesar de o inquérito ter sido feito num momento sem qualquer indício de uma vacina à vista, as expectativas dos inquiridos revelam um grande optimismo”, sublinhou a socióloga Sandra Marques Pereira, que coordenou o estudo, na apresentação que decorreu esta semana, no dia 14 de dezembro de 2020.

O inquérito, tal como indica o jornal, foi feito entre julho e uutubro a proprietários e gestores de AL com a categoria apartamento ou moradia e as perguntas incidiam sobre o período entre março e junho. O objetivo era avaliar o impacto da Covid-19 na atividade. Foram validadas as respostas de 868 inquiridos, espalhados por todo o país.

Os resultados do estudo revelam que 50% dos inquiridos tem apenas uma unidade de alojamento e que 27% tem duas ou três. A idade média do proprietário ou gestor é de 53 anos e a atividade é exercida maioritariamente (69%) em nome individual.

Aos inquiridos foi perguntado que uso deram aos imóveis em junho e que uso estavam a pensar dar até ao fim de 2020. Mais de 70%, tal como escreve o diário, responderam que se mantiveram no alojamento local de curta duração, embora apenas pouco mais de 30% tenha registado ocupação. No Algarve e em Lisboa, as taxas de ocupação foram superiores às do Porto e do resto do país. Em junho notou-se já, explicou Sandra Marques Pereira, “a relevância, sobretudo em Lisboa e Porto, do mercado de arrendamento de média duração” e a “pouquíssima expressão do mercado de arrendamento de longa duração”.

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Quanto aos usos futuros, apenas cerca de 15% dos inquiridos pondera colocar os imóveis no mercado privado de longa duração e menos de 5% admite aderir aos programas públicos de arrendamento. Em Lisboa e Porto, os programas destinados a cativar proprietários ficaram muito aquém dos objectivos.

Ficar no mercado de AL, entrar no de média duração ou utilizar os imóveis para si ou para a família são as intenções da maioria dos inquiridos. Em Lisboa e no Porto, quase 80% dizem ser “provável” ou “muito provável” optar pela média duração, enquanto no Algarve a percentagem é inferior a 40%.

Procurando perceber porque é tão pouco atrativo o mercado de longa duração, os investigadores concluíram que “não eram apenas as questões financeiras, também não era apenas a questão da falta de confiança no Estado”, disse Sandra Marques Pereira, citada pelo Público. A perda de licença de AL, que inviabiliza regressar ao negócio no futuro, a desadequação dos imóveis ao arrendamento de longa duração e a vontade de manter o usufruto dos imóveis foram razões apresentadas pelos inquiridos.