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Casas de bancos: para vender, instituições dão dinheiro para obras e decoração e pagam contas de água ou luz

Autor: Redação

Os bancos querem, a todo o custo e com rapidez, continuar a "limpar" as casas que têm no balanço, "herdadas" de clientes que não pagaram os empréstimos que pediram. Para isso, agora as instituições financeiras não apenas dão spreads mais baixos e isentam de comissões os créditos à habitação dos imóveis que vendem diretamente, como ainda dão dinheiro para obras, decorar a casa ou até pagar despesas mensais como a água e luz.
 
O Banif, por exemplo, foi o último a avançar com uma nova campanha associada aos imóveis que, durante os últimos anos, recebeu de clientes que entraram em situação de incumprimento no crédito, noticia o Jornal de Negócios. E é o mais agressivo na tentativa de acelerar a limpeza do balanço com a promessa de um cheque cujo valor pode chegar aos 4.500 euros. O Montepio propõe-se pagar mais de mil euros, já a CGD vai dando vales de 250 euros.  
 
O montante pago pelo Banif é variável consoante as assoalhadas do imóvel selecionado que, por sua vez, traduz num maior ou menor preço de aquisição, começando nos 2.500 euros. Este valor, "oferecido para imóveis em campanha" com um valor "até um milhão de euros", diz o banco, serve para pagar "encargos com água, eletricidade, gás,TV e Internet, pelo período de dois anos", refere a campanha. Enquanto o Banif paga as despesas, o Montepio e a CGD "preocupam-se" com as obras do imóvel.  
 
Obras "low cost"  
 

A campanha da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que em tempos chegou a dar as mobílias para as casas vendidas, "traduz-se na oferta de vales de compras que serão entregues aos clientes após a concretização da escritura do imóvel, na razão de um vale por cada assoalhada: T0 -1 vale; T1 - 2 vales; T2 - 3 vales", explica o banco, citado pelo Negócio. Cada um desses vales tem um valor de 250 euros para ser gasto em tintas e pavimentos fornecidos por parceiros pré-definidos.

No Montepio, há deslocação e orçamento gratuitos com "desconto imediato de 10% nas obras a realizar". Estas "borlas" justificam-se, em parte, porque depois do fulgor inicial de vendas de casas que tinham sido devolvidas aos bancos, as instituições financeiras ficaram, como disse Luís Lima, presidente da APEMlP, numa entrevista recente ao Negócios, com "imóveis de baixo valor em zonas onde não têm qualquer procura". E muitas dessas casas necessitam de ser reabilitadas. Naquelas que estão prontas a habitar, através do Montepio há descontos nas mudanças e mil euros para a decoração.  
 
Spreads baixos  

 
As promoções atualmente em vigor, ao contrário do que acontece habitualmente, são acumuláveis com aquelas que desde sempre foram utilizadas pelo setor financeiro para conseguirem escoar imóveis durante a crise. Nestes três bancos, bem como em muitas outras instituições, os "spreads" continuam a ser a "arma" principal: variam entre 1% e 2%. "Continua a haver diferenças favoráveis às casas dos bancos", diz Ricardo Sousa, administrador da Century 21 Portugal, referindo-se, nomeadamente, às isenções de comissões dos créditos que chegam a custar milhares de euros.  
 
Bancos venderam 15 imóveis por dia no primeiro trimestre  
 
O número de casas vendidas pelos bancos aumentou no ano passado. Uma tendência de crescimento que se manteve no arranque deste ano. Entre Janeiro e Março, os três maiores bancos privados nacionais (BCP, BES e Santander Totta) desfizeram-se de um total de 1.319 imóveis, mais 4,3% do que no mesmo período do ano anterior. Ou seja, venderam 15 imóveis por dia neste período. O BCP foi o banco que alienou mais casas: 544. Já o BES vendeu 483 casas e o Santander alienou 292. Em termos de valor, os imóveis vendidos nos primeiros três meses do ano totalizaram 155 milhões de euros, mais 10% do que no período homólogo. Nem o BPI nem a CGD quiseram disponibilizar estes números ao Negócios.