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Guerra no crédito à habitação: spreads em mínimos e empréstimos em máximos desde a troika

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Autor: Redação

Tirando partido da política de juros historicamente baixos do Banco Central Europeu (BCE), e ainda que o Banco de Portugal tenha acionado um travão à concessão de crédito à habitação, os bancos estão ao rubro na luta por angariar mais clientes. Prova disso são as agressivas práticas comerciais que estão a adotar e que passam muito por usar baixos spreads como isco. Tanto que as margens cobradas nos empréstimos para a compra de casa atingiram em 2018 valores similares aos de antes da crise, em 2010. E tudo aponta para novas descidas nos preços nos novos contratos, tendo em conta a onda de revisões nos preçários dos bancos que tem acontecido este ano.

Quem vem confirmar este cenário é o próprio Banco de Portugal, dando nota no Boletim Económico de 2018 que os financiamentos para a compra de casa no mercado nacional registaram no ano passado um spread médio de 2,2%, face a uma média de 2,8% em 2017.

Ou seja, no espaço de um ano assistiu-se a uma redução na ordem dos 20% nas margens cobradas pelos bancos no crédito à habitação, levando-as para um patamar em linha com 2010, antes do início da crise em Portugal.

Forte concorrência explica resultados

A entidade liderada por Carlos Costa, no documento divulgado esta quarta-feira, considera que a quebra observada nos spreads no crédito à habitação “estará relacionada sobretudo com a pressão da concorrência“, apontando ainda que esta tendência “está de acordo com as respostas dadas pelos bancos no Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito, os quais reportaram uma diminuição do spread aplicado tanto nos empréstimos de risco médio como nos de risco elevado“.

E esta "guerra" parece estar a dar resultado, porque a banca nacional acabou por terminar 2018 com um volume total próximo dos 10 mil milhões de euros de financiamentos concedidos para a compra de casa, o mais elevado também desde 2010.

Tendência de baixos spreads é para continuar?

Para 2019, podem esperar-se resultados ainda mais expressivos a nível de spreads baixos, atendendo à onda de revisões em baixa das margens a que se tem assistido nos últimos meses no mercado.

"Se tivermos em conta os níveis de preços de outros países como Espanha, sim poderá haver margem adicional de baixa nos spreads do crédito à habitação que oferecem os bancos a operar em Portugal", aponta o responsável, ressalvando, porém, "que o BCE está a pressionar as entidades financeiras para que mantenham um nível de rentabilidade razoável e não entrem em guerras de preços e relaxamento de critérios de risco que debilitem os seus balanços", aponta Juan Villen, diretor de idealista hipotecas.

A descida dos spreads tem vindo a ser uma medida praticamente transversal à generalidade dos bancos a operar em Portugal. No último ano, 12 dos 15 bancos mexeram nos spreads mais baixos, descendo este indicador.

E só este ano, mais de metade das instituições (BPI, Santander, Crédito Agrícola, Banco Montepio, EuroBic e CGD) já decidiram voltar a cortar a margem mínima dos spreads que oferecem - entre estas apenas o Santander e o Eurobic fizeram o mesmo com os spreads máximos.

Atualmente, os preçários mostram ser possível fechar novos contratos com spreads mínimos entre 1% e 1,25%, estando o mais baixo do mercado está a ser aplicado pelo Bankinter. O banco espanhol é o único que cobra um 'prémio' mínimo de 1%, mas apenas em certas circunstâncias.

O Banco CTT, o Crédito Agrícola e o Santander, seguem-se na lista, com ofertas de 1,10%. Já o UCI - União de Créditos Imobiliários e o Deutsche Bank, aplicam os spreads mínimos mais altos, de 1,50% e 1,30%, respetivamente.

Mas atenção, porque apesar desta maior disponibilidade da banca dar crédito mais barato, isto não é para todos. Os clientes com um perfil considerado de maior risco enfrentam uma penalização nas margens cobradas.