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Crédito da casa em máximos: bancos emprestaram 927 milhões em maio

Photo by Joshua Ness on Unsplash
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Autor: Redação

A concessão de crédito à habitação bateu novos máximos, em maio, com os bancos nacionais a emprestarem 927 milhões de euros num mês para a compra de casa. Trata-se do valor mais elevado desde junho de 2018, um mês antes da entrada em vigor das medidas macroprudenciais do Banco de Portugal (BdP) que têm como objetivo pôr “travão” aos excessos na atribuição de novos créditos.

Os bancos concederam 927 milhões de euros em empréstimos para a aquisição de casa, em maio, mais 123 milhões de euros que em abril, mês em que foram concedidos 804 milhões de euros às famílias, segundo os dados divulgados esta terça-feira, 9 de julho de 2019, pelo BdP. É, aliás, a primeira vez desde dezembro do ano passado que o montante das novas operações supera a fasquia dos 900 milhões de euros, e o valor mas elevado em quase um ano. 

O regulador criou novas regras – que entraram em vigor a 1 de julho de 2018 - para os novos contratos de financiamento para a compra de casa. O BdP “pediu” à banca que não assuma riscos excessivos na concessão de novos créditos, colocando limites à taxa de esforço das famílias, à maturidade dos empréstimos e ao valor do crédito face ao imóvel dado em garantia.

A subida da concessão de crédito também chegou a outros segmentos, nomeadamente no crédito ao consumo – foram concedidos 435 milhões de euros em maio, mais 72 milhões de euros face aos 363 milhões de abril. O mesmo cenário nos empréstimos com outros fins: ascenderam a 178 milhões de euros, em maio, mais 19 milhões que os 159 milhões concedidos em abril.

Crédito a taxa fixa recua

No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, os bancos emprestaram 4.082 milhões de euros para a compra de casa. Mais de 81% dos novos contratos foram feitos a taxa variável e apenas 18,7% a taxa fixa, um cenário que poderá ser explicado pelas Euribor - o principal indexante em Portugal nos contratos bancários que financiam a compra de um imóvel -, que irão continuar em terreno negativo pelo menos até 2024.

Por agora, a perspetiva de juros negativos no futuro irá continuar a encaminhar as famílias para a contratação da taxa variável. “É provável que se contrate preferencialmente a taxa variável, já que a diferença da prestação para a taxa fixa é significativa", declara Filipe Garcia, economista da IMF, ao Jornal de Negócios. "Desde que haja alguma acompanhamento, poderá haver a hipótese para trocar para taxa fixa mais tarde", explica o responsável.