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Metade dos portugueses só acaba de pagar a casa ao banco durante a reforma

Esta é uma das conclusões a retirar do estudo “Habitação Própria em Portugal numa Perspetiva Intergeracional”.

Esther Ann on Unsplash
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Autor: Redação

Muitos dos portugueses com crédito à habitação (cerca de 50% do total) só conseguem liquidar o empréstimo para a compra de casa, na totalidade, já depois de estarem reformados, ou seja, após os 68 anos. Esta é uma das conclusões a retirar do estudo “Habitação Própria em Portugal numa Perspetiva Intergeracional”, que foi encomendado pela Fundação Calouste Gulbenkian e será divulgado esta quarta-feira (15 de julho de 2020).

Segundo o estudo – da autoria de Romana Xerez, Elvira Pereira e Francielli Dalprá Cardoso, do Centro de Administração e Políticas Públicas do ISCSP –, que se apoia em dados do Banco de Portugal (BdP), cumprindo-se o contratado e não havendo pagamentos antecipados do empréstimo, o mesmo só é dado como liquidado já em tempos de reforma. “Uma parcela muito relevante só vai ser paga depois dos 67 ou dos 68 anos”, uma evidência que nos “alerta para um risco relevante”, refere Luís Lobo Xavier, coordenador do projeto Justiça Intergeracional da Gulbenkian, citado pelo Jornal de Negócios.

Portugal é um dos países europeus com o valor mais elevado da maturidade média dos créditos à habitação, chegando a 33 anos no final de 2016, escreve a publicação, acrescentando que há uma “vulnerabilidade” acrescida para estas famílias: é que além dos créditos serem normalmente a taxa variável e a tendência seja de subida, agravando potenciais dificuldades, no período de reforma das famílias verifica-se, em regra, uma redução de rendimentos.

“Esta questão tem implicações para o papel da habitação própria como complemento dos rendimentos na fase da reforma”, conclui o estudo, alertando para o facto da propriedade poder ser considerada “como um ‘trade-off’ em relação às pensões”, ou seja, “para as pessoas mais idosas, já proprietárias de habitação sem hipoteca, a habitação satisfaz as necessidades de alojamento a um custo baixo e, ao ser refinanciada ou vendida para a mudança para uma casa menor, pode complementar o valor baixo das pensões”. “Isto é especialmente relevante para os idosos que são ricos em ativos (habitação) e pobres em rendimentos”, lê-se no documento.