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Covid-19 reanima “guerra dos spreads" no crédito à habitação: Bankinter lança taxa abaixo de 1%

Banco espanhol lançou uma campanha com um spread mínimo inferior a 1% (0,95%). E o resto dos bancos que spreads está a oferecer? Qual será a tendência do mercado?

Bankinter
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Autor: Redação

Antes da chegada da Covid-19 a Portugal, a guerra de spreads no crédito à habitação estava ao rubro, alimentada pela política de baixas taxas de juro do BCE ao longo dos últimos anos, com o mercado a caminhar cada vez mais para ofertas de taxas de 1% . Agora, e em plena pandemia, os bancos voltam a dar novos estimulos para tentar atrair clientes e dar mais empréstimos para a compra de casa em Portugal. O espanhol Bankinter deu o tiro de partida em plena crise económica, atualizando o preçário deste tipo de financiamentos para 0,95%, sendo o primeiro banco a baixar a fasquia dos 1% nos últimos anos. E o que vão agora fazer os concorrentes? Os especialistas acreditam que a "guerra dos spreads" está de novo acesa. 

“O Bankinter acaba de lançar uma nova campanha de crédito à habitação, com um novo spread mínimo de 0,95%. Esta campanha inclui ainda o suporte de custos de transferência de créditos à habitação para o Bankinter”, refere o banco, em comunicado, salientando que a nova margem já está disponível.

Segundo Vítor Pereira, diretor de Produtos, CRM e Marketing e membro da Comissão Executiva do Bankinter Portugal, trata-se do “valor mais competitivo do mercado”. “[Desta forma] reafirmamos o nosso compromisso com os clientes em Portugal, que sabem que podem contar com o Bankinter para os apoiar na realização dos seus projetos neste momento tão importante. Esta é também uma mensagem de confiança na economia portuguesa”, acrescenta, citado no documento.

Que spreads dão os outros bancos?

O Bankinter lidera agora de forma destacada o ranking dos bancos com os spreads mínimos para a compra de casa mais baixos. Já este ano, tanto o BCP como o Santander baixaram os preços mínimos para 1%, a margem que até agora era praticada pelo Bankinter.

Segundo as contas do ECO, seguem-se na lista, por esta ordem, o Banco CTT e o Eurobic, com 1,1%. Na sexta posição surge o Montepio (1,175%), que é seguido de perto por BPI e o Crédito Agrícola (1,2%). O top dez fica composto por CGD e Novo Banco, que praticam spreads mínimos de 1,23% e 1,25%, respetivamente.

Nova vaga de taxas mais baixas à vista

E agora qual será a tendência do mercado? "O preço do dinheiro continua baixo e os bancos têm todo o interesse em manter as estratégias de financiamento", considera Miguel Cabrita, responsável do idealista/creditohabitacao em Portugal, frisando que "os empréstimos da casa destacam-se como um dos principais canais de captação de clientes e a redução do spread oferecido aos clientes ou redução de comissões associados a este tipo de operações, faz parte das suas estratégias".

De qualquer modo, e segundo este especialista, "o contrato de crédito à habitação não se resume ao spread e o apoio de um intermediário de crédito é essencial para se comparar diferentes ofertas e uma análise detalhada de cada uma".

Para Nuno Rico, economista da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, o anúncio do Bankinter de baixar o spread mínimo do crédito à habitação não deixa de ser surpreendente: “Considerando o atual cenário económico, assim como as perspetivas para os próximos meses, com o esperado aumento do risco de crédito dos consumidores, é com alguma surpresa que registamos esta descida de spreads, que se poderá enquadrar numa estratégia de aumento da concorrência e tentativa de ganhar quota de mercado”.

Citado pelo Dinheiro Vivo, o responsável adiantou que, “considerando que se quebrou uma barreira psicológica, no que aos spreads diz respeito, é previsível que haja resposta de outras instituições de crédito, no sentido de não perder clientes neste produto bancário”.

*notícia atualizada às 10:47 com informações complementares, além do anúncio do Bankinter.