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Moratórias privadas de crédito à habitação terminam em março – milhares de famílias afetadas

Moratórias privadas (criadas pelos bancos) vão terminar a 31 de março de 2021, ao contrário das públicas (do Estado), que acabam em setembro.

Imagem de Tumisu por Pixabay
Imagem de Tumisu por Pixabay
Autor: Redação

As moratórias privadas de crédito à habitação criadas pelos bancos vão terminar a 31 de março de 2021, ao contrário das moratórias públicas ou do Estado, que foram prolongadas até 30 de setembro. Com o prazo a apertar, as instituições bancárias estão a começar a contactar os clientes para renegociar pagamento dos empréstimos, sendo a reestruturação dos mesmos uma das soluções para quem não conseguir retomar os pagamentos.

Segundo o Público, há milhares de famílias abrangidas pela moratória privada de crédito à habitação na iminência de retomar o pagamento das prestações dos empréstimos, visto que a moratória privada, criada pelos bancos para este tipo de créditos, termina dia 31 de março, não estando previsto o seu prolongamento. 

Pelo contrário, os bancos estão a contactar os clientes, lembrando-lhes o regresso das mensalidades em abril e também “convidá-los”, nos casos em que não tenham condições financeiras para suportar a amortização de capital e juros, a procurarem soluções junto das instituições, escreve a publicação.

Soluções essas que poderão passar pela renegociação do crédito, nomeadamente a fixação de períodos de carência de capital ou juros e o alargamento do prazo do contrato.

De recordar que os bancos, na moratória criada no seio da Associação Portuguesa de Bancos (APB), não acompanharam a última extensão de prazo da moratória pública, que termina a 30 de setembro. Significa isto que, apesar de se tratar de uma carteira de empréstimos mais reduzida, a moratória privada para o crédito à habitação está prestes a terminar.

“Situação das famílias está a agravar-se”

Natália Nunes, diretora do Gabinete de Protecção Financeira (GPF) da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, disse estar preocupada com o fim das moratórias e apelou aos particulares para contactarem antecipadamente os bancos se constatarem que não têm condições para pagar os respetivos créditos.

“A situação [das famílias] está a agravar-se”, referiu, citada pela publicação, considerando que se assistirá “a um crescimento dos números de pedidos de ajuda em 2021 e 2022, e mesmo a um aumento das insolvências pessoais já no corrente ano”.

De recordar que, em 2020, chegaram ao serviço de apoio financeiro aos sobre-endividados 30.100 pedidos de ajuda.