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Juros dos novos créditos à habitação abaixo de 0,8% pela primeira vez

A taxa fixou-se em 0,77%, menos três pontos base face a dezembro de 2020, e está a cair há seis meses consecutivos, segundo o BdP.

Foto de Lisa Fotios no Pexels
Foto de Lisa Fotios no Pexels
Autor: Redação

A taxa de juro média dos novos créditos à habitação – empréstimos para a compra da casa concedidos pelos bancos a clientes particulares – fixou um novo mínimo histórico, em janeiro, ficando abaixo dos 0,8% pela primeira vez. A taxa fixou-se em 0,77%, menos três pontos base face a dezembro de 2020, e está a cair há seis meses consecutivos, segundo dados divulgados esta quarta-feira (3 de março de 2021) pelo Banco de Portugal (BdP).

Trata-se de (mais) uma descida que pode ser explicada, por um lado, pela taxas Euribor, as mais usadas em Portugal para efeitos de concessão de crédito à habitação, e que continuam em queda e em terreno negativo, mas também pela descida dos spreads, a margem definida pelos bancos a aplicar ao montante emprestado. Recorde-se que, nos últimos anos, as instituições bancárias têm vindo a protagonizar uma verdadeira guerra comercial neste campo, prometendo spreads cada vez mais baixos para angariar novos clientes.

"O crédito à habitação segue como um produto âncora para a captação de clientes por parte das instituições bancárias, que registou em 2020 um volume recorde da última década, e no qual temos assistido a uma competitividade ao nível dos spreads que se reflete na redução da taxa de juro dos novos créditos habitação", comenta Miguel Cabrita, responsável do idealista/créditohabitação em Portugal. 

"A redução das taxas de juro também resulta das políticas em curso do Banco Central Europeu que pressionam as taxas Euribor a manterem-se em níveis negativos, atualmente em mínimos históricos", acrescenta ainda o responsável.

Bancos emprestaram 968 milhões para a compra de casa em janeiro

Isto acontece num mês em que os bancos emprestaram 968 milhões de euros para a compra de casa às famílias, abaixo dos 1.203 milhões do mês anterior e dos 977 milhões homólogos, sendo este o valor mais baixo desde agosto do ano passado, de acordo com o supervisor.

Em queda em janeiro estiveram também as novas operações de crédito ao consumo, cujo montante recuou para 281 milhões de euros, face aos 359 milhões de euros do mês anterior e dos 460 milhões de euros de janeiro de 2020. Já a taxa de juro média neste segmento aumentou de 6,09% em dezembro para 6,56% em janeiro.

Foram ainda concedidos 137 milhões de euros em financiamentos para outros fins, uma queda de 36,2% face ao ano passado. Neste segmento, a taxa de juro média também subiu: passou de 2,97% em dezembro para 3,66% em janeiro.

Crédito às empresas cai, mas juros sobem

Os 1.609 milhões de euros de crédito concedido às sociedades não financeiras em janeiro comparam com os 2.570 milhões de euros do mês anterior e os 2.586 milhões de euros de janeiro de 2020, sendo o valor mais baixo desde que há registo.

Já as taxas de juro subiram. Segundo o banco central, em janeiro a taxa de juro média dos novos empréstimos às empresas aumentou 17 pontos base face a dezembro de 2020, para 2,16%. Por segmento, a taxa de juro das operações abaixo de 1 milhão de euros aumentou 13 pb, para 2,42%, e a taxa das operações acima de 1 milhão de euros aumentou 3 pb, para 1,70%.