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Portugueses recorrem cada vez mais à banca e Deco lembra que crise não terminou

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Autor: Redação

Em setembro foram realizados cerca de 121.500 novos contratos de crédito ao consumo, mais de 10% em relação ao ano passado. Face ao mês anterior, e segundo dados do Banco de Portugal (BdP), o crédito ao consumo aumentou mais de 23% e atingiu os 513 milhões de euros. A Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor aconselha precaução e considera que muitos portugueses estão a viver a ilusão de que a crise já passou.

Estamos ainda numa situação de crise em que as famílias foram confrontadas com muitas dificuldades, em que deveriam ter, pelo menos, aprendido a gerir melhor o seu dinheiro, a ver as suas responsabilidades de crédito, as taxas de esforço. E temos a preocupação de que estas famílias estejam a deixar-se levar um pouco por esta ideia de crescimento económico, que as dificuldades estão a terminar e que não se estejam a contratar da forma mais responsável, nomeadamente tendo em conta a taxa de esforço e se aquele produto está adequado às suas necessidades e se é aquilo que efetivamente pretendem”, alerta Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da Deco, em declarações à Rádio Renascença.

De acordo com a responsável, a culpa não é apenas dos consumidores: “A banca também está a voltar àquilo que era a sua atitude na contratação de crédito antes da crise e estamos a ver que já está a passar a ideia de algum facilitismo até pela publicidade, algum facilitismo até na contratação de crédito. O nosso receio é que estas evidências levem a que mais famílias continuem a contratar de forma menos responsável e venham a ter dificuldades a médio-longo prazo”.

De referir que o número de pessoas que procura a ajuda da Deco continua a aumentar. Até outubro, 26 mil famílias recorreram ao GAS, sendo que muitas têm cada vez menos capacidade de reabilitar a sua situação financeira e continuam a acumular créditos e dívidas.