Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

José Sócrates abandona PS para “pôr fim a embaraço mútuo”

Autor: Redação

O antigo secretário-geral do PS e primeiro-ministro José Sócrates anunciou esta sexta-feira (4 de maio) que pediu a desfiliação do partido para acabar com um “embaraço mútuo”, após críticas da direção que, na sua opinião, ultrapassam “os limites do que é aceitável no convívio pessoal e político”.

Num artigo publicado no Jornal de Notícias, José Sócrates, principal arguido na Operação Marquês, acusado de vários crimes económico-financeiros, nomeadamente corrupção e branqueamento de capitais, disse que está a ser alvo de “uma espécie de condenação sem julgamento”. 

O anúncio de José Sócrates, que aderiu ao PS em 1981, surge depois das declarações do líder parlamentar, Carlos César, de vários militantes do PS e do primeiro-ministro e atual secretário-geral socialista, António Costa, que disse na quinta-feira que ninguém está acima da lei, escreve a Lusa. 

Carlos César afirmou esta semana, citado pela TSF, que o PS se sente “envergonhado” com as suspeitas que recaem sobre Manuel Pinho, antigo ministro da Economia do Governo de José Sócrates, salientando que a “vergonha é ainda maior” no que diz respeito ao processo de Sócrates, por se tratar de um antigo primeiro-ministro.

Esta quinta-feira (3 de maio) foi a vez de António Costa referir que a “confirmarem-se” as suspeitas de corrupção nas políticas de energia por membros do Governo de José Sócrates, será “uma desonra para a democracia”.

Na carta enviada ao PS e que é publicada no Jornal de Notícias, Sócrates anunciou que pediu a desfiliação do partido: “Na verdade, durante estes quatro anos não ouvi por parte da Direção do PS uma palavra de condenação destes abusos, mas sou agora forçado a ouvir o que não posso deixar de interpretar como uma espécie de condenação sem julgamento. Desde sempre, como seu líder, e agora nos momentos mais difíceis, encontrei nos militantes do PS um apoio e um companheirismo que não esquecerei. Mas a injustiça que agora a Direção do PS comete comigo, juntando-se à Direita política na tentativa de criminalizar uma governação, ultrapassa os limites do que é aceitável no convívio pessoal e político. Considero, por isso, ter chegado o momento de pôr fim a este embaraço mútuo. Enderecei hoje uma carta ao PS pedindo a minha desfiliação do Partido. Pronto, a decisão está tomada”, lê-se no artigo de opinião intitulado “A clarificação devida”.

No mesmo, Sócrates critica a Justiça e nega que o nome de Manuel Pinho para fazer parte do seu Governo tenha sido sugerido pelo antigo presidente do Grupo Espírito Santo, Ricardo Salgado.

O antigo primeiro-ministro reafirma que o Ministério Público deve “provar o que diz”, sendo que o “primeiro dever de um Estado decente é provar as gravíssimas alegações que faça seja contra quem for”.