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Famílias sobreendividadas: Mais de 26 mil pediram ajuda à Deco
Picsea/Unsplash

O número de famílias com problemas financeiros está a aumentar. Entre janeiro e outubro deste ano a Deco - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor recebeu 26.180 pedidos de ajuda por parte de portugueses sobreendividados. Segundo os dados da associação já são quase metade (47%) os casos em que o pedido de ajuda vem de um agregado familiar de apenas um elemento, pessoas divorciadas ou viúvas.

Os dados foram divulgados a propósito do Dia Mundial da Poupança, assinalado esta terça-feira, 30 de outubro de 2018, e mostram que o número de pedidos de ajuda ao Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS) em todo o ano de 2017 tinha sido menor do que em 2016, mas entre janeiro e outubro deste ano já houve mais uma centena do que em período homólogo do ano passado.

"Registámos um aumento do número de pedidos de ajuda das famílias. Não é muito significativo face a 2017, mas a verdade é que se regista este aumento e a verdade é que no dia a dia verificamos que nos estão a chegar mais situações, tanto aqui em Lisboa como na região norte, no Porto", disse à Lusa Natália Nunes, porta-voz do GAS.

Pedidos de ajuda têm novas causas

O desemprego é tradicionalmente a principal causa, embora com menor peso face ao que se verificava em 2017 - 30% das situações eram causadas pelo desemprego, neste momento são 20%. Ainda assim, e segundo a responsável, há outras causas a ganhar terreno, como pequenos investimentos mal sucedidos (6%), o apoio aos ascendentes (5%) e a passagem à reforma (2%).

A porta-voz do GAS explicou à agência de notícias que "estes pequenos investimentos são de pessoas que foram confrontadas com situações de desemprego e tomaram a iniciativa de criar o seu próprio posto de trabalho e, infelizmente, há situações que não têm corrido muito bem e que levam a que as famílias agora não tenham capacidade financeira de honrar os compromissos e nos tenham vindo pedir ajuda".

"São já 6% das causas e começa a ser significativo", sublinhou.

Problema afeta cada vez mais pessoas divorciadas ou viúvas

Natália Nunes sublinha ainda uma outra alteração que a Deco tem verificado nas famílias que lhe pedem ajuda e que tem que ver com a dimensão do agregado familiar. "Nos últimos anos eram famílias de dois a três elementos, neste momento são agregados compostos por apenas um único elemento e representam já 74% das situações (pessoas divorciadas ou viúvas)", afirmou.

Outra das alterações é o aumento da taxa de esforço que as prestações mensais representam no rendimento das famílias, que já tinha manifestado uma tendência crescente no ano passado – passando de 67% para 70% – e que este ano voltou a aumentar, chegando aos 72%. "Isto significa que o peso das prestações de crédito no rendimento mensal das famílias está a aumentar e que no final do mês, em regra, falta dinheiro às famílias que nos pedem ajuda".

Apesar dos dados negativos, a Deco realça um ponto positivo detetado no relatório, que mostra uma redução (de 55% para 49%) do crédito em incumprimento e uma subida (de 45% para 51%) do crédito regularizado.

"Significa que as famílias estão a pedir ajuda numa fase em que ainda se consegue resolver a situação, apesar de muito deste crédito estar, de facto, na iminência de entrar em incumprimento", frisou a porta-voz.

"Como nestes últimos tempos se tem falado tanto nas dificuldades das famílias e como há a ideia de que todas as famílias, de uma maneira ou de outra, têm sido confrontadas com algumas dificuldades, isso poderá ter contribuído para que se tenha retirado a carga negativa do facto de se pedir ajuda e isso tenha contribuído para que as famílias peçam ajuda numa fase prévia", concluiu.

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