Setor das telecomunicações lidera queixas dos consumidores há 10 anos

A Deco recebeu mais de quatro milhões de reclamações na última década.
Setor das telecomunicações lidera queixas dos consumidores há 10 anos
Photo by Bethany Legg on Unsplash

Nos últimos 10 anos, a Deco – Associação para a Defesa do Consumidor recebeu mais de quatro milhões de reclamações lideradas pelos setores das telecomunicações, energia e água, serviços financeiros e compra e venda. A área das telecomunicações foi a responsável pela maioria das queixas, revelando-se “uma constante preocupação para as famílias portuguesas”. A velocidade anunciada da internet, o período de fidelização, a dupla faturação, as práticas comerciais desleais, a cobrança pela fatura em papel e a dificuldade de cancelamento do contrato foram os principais motivos das reclamações.

“O processo de migração para a TDT, com a atuação da ANACOM, a publicidade enganosa das operadoras e a deficiente estratégia de implementação do plano do apagão analógico lesou muitos milhares de consumidores. Em 2013, a Deco intentou uma ação coletiva contra a ANACOM. Até agora pouco ou nada mudou”, escreve a associação, em comunicado, exigindo maior proteção para o consumidor.

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A associação lembra que as “vendas agressivas” motivam cerca de 4.000 reclamações por ano e que “as práticas comerciais desleais porta-a-porta, pelo telefone e pela internet foram uma constante ao longo destes 10 anos”. “Acrescem problemas relativos à garantia dos bens e ao não cumprimento do prazo de livre resolução do contrato (14 dias)”, no total de 325.396 reclamações entre 2010 e 2019.

O setor da energia, ”sempre presente no ranking de queixas”, diz a Deco, também “foi alvo de páticas comerciais desleais” – recebeu 377.536 reclamações na última década. “Embora em 2015, 100 mil portugueses tenham conseguido, com o apoio da Deco, a devolução de cerca de 58 mil euros das cauções dos serviços públicos, as reclamações relativas à energia e água continuam”, indica.

A Deco refere ainda que as denúncias relativas aos transportes aéreos também aumentaram. Em setembro de 2016, lembra, o “caso Ryanair” lesou milhares de passageiros que viram o seu voo cancelado. Nessa altura, a Deco representou os consumidores e conseguiu que recebessem a indemnização num total de 35 mil euros. Segundo a associação, o constrangimento de voos e as práticas comerciais desleais “demonstram que este setor permanecerá no ranking da próxima década”.

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