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Hábitos de consumo das famílias portuguesas mudam “à boleia” da pandemia

Boa parte do orçamento familiar está a ser canalizado para gastos relacionados com a vida em casa.

Imagem de Mohammad Fahim por Pixabay
Imagem de Mohammad Fahim por Pixabay
Autor: Redação

Os hábitos de consumo dos portugueses mudaram bastante com o aparecimento da pandemia da Covid-19, desde logo porque as pessoas passaram a estar mais tempo em casa. Na prática, boa parte do orçamento familiar está a ser canalizado para gastos relacionados com a vida em casa, como por exemplo produtos alimentares, água, eletricidade, gás e outros combustíveis. Por outro lado, a despesa com vestuário, calçado, transportes e viagens é menor. 

Isso mesmo se conclui através dos números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatístca (INE) esta quarta-feira (10 de fevereiro de 2021). O instituto explica que até à data o cálculo da inflação ainda não refletia esta alteração generalizada na estrutura de consumo das famílias e que, por isso mesmo, alterou a forma como é calculado o Índice de Preços no Consumidor (IPC), aumentando a ponderação dos alimentos e reduzindo o peso de alguns produtos, como por exemplo os transportes.

“Tendo em conta o forte impacto da pandemia na estrutura de consumo das famílias, e no seguimento das recomendações do Eurostat para a compilação dos ponderadores do IHPC, os ponderadores do IPC e IHPC para 2021 foram atualizados, excecionalmente, com recurso adicional a informação preliminar das Contas Nacionais Trimestrais para 2020, complementada com informação mais detalhada disponível, nomeadamente a obtida para os índices de volume de negócios do comércio a retalho e dos serviços”, refere o INE.

“Em consequência desta atualização, observou-se uma alteração significativa das estruturas de ponderação do IPC e do IHPC, sendo de salientar o aumento dos ponderadores das classes dos Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, da Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis e dos Acessórios, equipamento doméstico e manutenção corrente da habitação. Em sentido inverso, destaca-se a redução dos ponderadores das classes do Vestuário e calçado, dos Transportes e dos Restaurantes e Hotéis”, acrescenta. Por seu turno, “aumentaram nomeadamente os pesos relativos das Rendas efetivas pagas por inquilinos, da Eletricidade e do Mobiliário e acessórios para o lar”, conclui.

INE
INE

40% das compras relacionadas com a vida em casa

Conclui-se, portanto, que o consumo de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, que já era a classe de bens onde os portugueses mais gastavam em 2020, pesa agora, em 2021, 22,4% do cabaz de compras. 

Já os gastos com a habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis aumentaram de 9,1% para 10,3%. O mesmo aconteceu com os gastos com acessórios, equipamentos domésticos e manutenção corrente da habitação, que dispararam de 5,8% para 7,1%. Significa isto que uma família destina quase 40% do seu cabaz médio de compras a estas três categorias de bens, todas diretamente relacionadas com a vida em casa.