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Transformar o Alentejo no próximo 'Silicon Valley': estrutura europeia do empreendedorismo na "mira"

Em causa está uma carta assinada por mais de 100 personalidades e já entregue ao primeiro-ministro António Costa.

Imagem de Mario Zogheb por Pixabay
Imagem de Mario Zogheb por Pixabay
Autor: Redação

Mais de 100 académicos, empresários, políticos e dirigentes da administração pública pedem ao Governo a instalação no Alentejo da estrutura europeia permanente para o empreendedorismo, para ajudar a transformar a região no próximo ‘Silicon Valley’. Entretanto, já foi lançada a Iniciativa Territorial Integrada (ITI), com o objetivo de cativar empresas a instalarem-se na serra algarvia e baixo Alentejo.

Em causa está um pedido que consta de uma carta – já enviada ao primeiro-ministro António Costa – da autoria do vice-reitor da Universidade de Évora e presidente executivo do Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), Soumodip Sarkar, que foi subscrita por 104 personalidades.

Segundo a Lusa, que teve acesso à missiva, Soumodip Sarkar diz ter tido conhecimento de que “Portugal irá acolher uma estrutura europeia permanente para o empreendedorismo” e felicita o Governo pela iniciativa.

“Vejo a possibilidade da integração desta estrutura no Alentejo como um importante e enorme passo para concretização mais rápida e eficaz daquela que é a nossa missão. Não só a missão da região, mas a missão do país. Um país que tem trabalhado para que a coesão territorial seja uma realidade efetiva”, refere o responsável.

O anúncio do lançamento de uma estrutura europeia permanente para o empreendedorismo, denominada “Europa ‘Startup’ Aliança das Nações“, foi feito pelo primeiro-ministro, em março, na 4.ª edição do Dia Digital, uma iniciativa da Comissão Europeia organizada em parceria com o Ministério da Economia e da Transição Digital, no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da EU, escreve a Lusa, adiantando que António Costa indicou, na altura, que a iniciativa teria sede em Lisboa e que competiria com os principais concorrentes internacionais na área da inovação tecnológica, nomeadamente com os EUA, Israel e Singapura.

Na carta enviada ao primeiro-ministro, o vice-reitor da Universidade de Évora e presidente do PACT diz acreditar que o Alentejo “tem todas as condições para ser o próximo ‘Silicon Valley‘” e manifesta-se “crente do potencial” da região e “confiante no trabalho” desenvolvido “nos últimos anos pelos vários agentes“.

“O crescimento da região Alentejo em matéria de empreendedorismo, inovação e desenvolvimento é claro e inequívoco”, nota Soumodip Sarkar, considerando que “os fatores territoriais têm tido um importante contributo nesta expansão“.

Entre os signatários da carta estão as seguintes personalidades:

  • O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, António Ceia da Silva;
  • A reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas;
  • A presidente do hospital de Évora, Filomena Mendes;
  • A presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo, Vítor Silva;
  • A eurodeputada Maria da Graça Carvalho;
  • O antigo ministro da Agricultura António Serrano;
  • Os empresários António Silvestre Ferreira, Rui Nabeiro e José Roquette

Iniciativa Territorial Integrada é uma realidade

Entretanto, e segundo o Público, as comissões de coordenação do Algarve e Alentejo preparam, em conjunto, uma operação de atração de investimento às serras do Caldeirão, Monchique, e zonas limítrofes de Odemira e Mértola. O objetivo é cativar empresas a instalarem-se na serra algarvia e baixo Alentejo.

Para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR/Algarve) é possível contrariar a tendência da litoralização dos fundos comunitários – desde que se alterem as regras de acesso aos apoios financeiros. Foi a partir desse pressuposto que lançou, com a CCDR/Alentejo, a Iniciativa Territorial Integrada (ITI), para majorar as percentagens de cofinanciamento na faixa serrana algarvia que faz fronteira com o Alentejo. O Algarve, por ser considerado uma “região em transição”, desceu de uma taxa máxima de comparticipação comunitária de 80% em 2020 para 60% no novo quadro comunitário (2021-2027), escreve a publicação.

De acordo com o jornal, as taxas de cofinanciamento para o Alentejo, que se encontra no quadro das regiões “menos desenvolvidas” do país, podem chegar aos 85%. “A nossa grande prioridade, neste momento, é encontrar investimentos para gastar bem os 300 milhões de euros, destinados a projetos de diversificação económica fora da área do turismo”, diz o presidente da CCDR, José Apolinário. 

De referir que o Programa Operacional (PO) regional dispõe de 778 milhões de euros, incluindo os 300 milhões extra, negociados em julho de 2020 em Bruxelas, com o objetivo de libertar (ou pelo menos aliviar) a dependência da “monocultura” do turismo.

*Com Lusa