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Banco de Portugal alerta para riscos do fim dos apoios e da correção dos preços do imobiliário

Relatório publicado ontem identifica as principais vulnerabilidades e riscos para a economia e para a estabilidade financeira nacional.

Mário Centeno
Governador do Banco de Portugal em alerta para os efeitos da crise gerada pela pandemia. / Conselho Europeu
Autor: Lusa

O elevado endividamento das administrações públicas e o aumento das responsabilidades contingentes, no âmbito da crise causada pela pandemia, constituem uma vulnerabilidade da economia portuguesa, refere o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal (BdP).

“O elevado endividamento das administrações públicas e o aumento das responsabilidades contingentes constituem uma vulnerabilidade da economia portuguesa”, lê-se no relatório referente ao mês de junho, divulgado esta segunda-feira, doa 21 de junho de 2021, pelo banco central português.

Medidas de apoio à pandemia minimizaram efeitos da crise

“A pandemia da Covid-19 causou uma crise económica com implicações para a situação financeira. As medidas de apoio, adotadas rápida e coordenadamente, evitaram a transmissão da crise ao setor financeiro”, concluiu o BdP, acrescentando que, “porém, a crise interrompeu o processo de ajustamento da economia portuguesa”.

De acordo com o relatório, “a magnitude e a persistência da crise, juntamente com a diluição no tempo e a redistribuição dos custos da pandemia entre os setores privado e público, levaram a um aumento da dívida, em particular nas administrações públicas e nos setores de atividade mais afetados pela crise”.

As principais vulnerabilidades e riscos para a estabilidade financeira

Assim, o relatório identifica as principais vulnerabilidades e riscos para a estabilidade financeira, que, além do endividamento das administrações públicas, refere ainda o “risco de uma correção nos mercados financeiros internacionais, que poderá ser amplificado pela elevada alavancagem, pela exposição a ativos de menor qualidade creditícia e pela baixa liquidez na carteira do setor financeiro não bancário na área do euro”.

Adicionalmente, constituem também vulnerabilidades “a retirada das medidas de apoio, numa situação de endividamento elevado e de atividade ainda deprimida em alguns setores”, que “potencia a materialização do risco de crédito”, a “correção dos preços no mercado imobiliário residencial em Portugal, que pode decorrer, inter alia, da potencial retração da procura de imóveis por não residentes, que surja associada a uma deterioração das condições de financiamento internacionais”, e o facto de no mercado imobiliário comercial, poder “ocorrer uma queda adicional dos preços na sequência da ocorrido em 2020 para alguns segmentos (retalho e hotéis)”.

Por fim, o BdP alerta ainda para as “perspetivas de rendibilidade baixa no setor bancário e reforço da ligação ao setor público, através do reforço da exposição a divida pública e da concessão de crédito com garantia pública”.

“Avaliadas de forma integrada, as vulnerabilidades e riscos elencados evidenciam interdependências entre setores económicos, que devem ser tidas em consideração na formulação de políticas promotoras da estabilidade financeira”, transmitiu a entidade bancária.