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Escândalo do FC Porto: buscas incluem casas de Pinto da Costa e empresários do futebol

Em causa estão suspeitas de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento, tendo o FC Porto colaborado com o Ministério Público.

Site do FC Porto (www.fcporto.pt)
Site do FC Porto (www.fcporto.pt)
Autor: Redação

O Ministério Público (MP) realizou, esta segunda-feira (22 de novembro de 2021), buscas ao FC Porto e a empresários do futebol, tendo a casa do presidente do clube, Jorge Nuno Pinto da Costa, sido também revistada, bem como a residência do seu filho, Alexandre Pinto da Costa. Em causa estão suspeitas de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento, numa ação policial com ligações à Operação Cartão Vermelho. O FC Porto confirmou, entretanto, as buscas às suas instalações e garantiu ter colaborado com a equipa de investigadores do MP.

Segundo se lê num comunicado publicado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), “foram cumpridos 33 mandados de busca, principalmente no Porto e em Lisboa, abrangendo instalações de sociedades, incluindo uma SAD e uma instituição bancária, bem como diversas residências”. 

Crimes de fraude fiscal e outros na mira das autoridades

“As diligências de recolha de prova visam investigar a suspeita de prática de crimes de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento, relacionados com transferências de jogadores de futebol e com circuitos financeiros que envolvem os intermediários nesses negócios. Estão em causa factos ocorridos pelo menos desde 2017 até ao presente, com forte dimensão internacional e que envolvem operações de pagamento de comissões de mais de 20 (vinte) milhões de euros”, lê-se na nota

Entretanto, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a SAD do FC Porto confirmou as buscas às suas instalações e garantiu ter colaborado com a equipa de investigadores do MP

“A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD (…) vem informar o mercado que foi alvo de um mandato de busca, ao longo do dia de hoje [22 de novembro de 2021], nas suas instalações, por suspeitas das entidades judiciais de crimes de abuso de confiança, fraude fiscal e branqueamento de capitais que tiveram a sua génese em movimentos financeiros relativos a transferências de jogadores de futebol. A FC Porto – Futebol, SAD colaborou com a equipa de investigadores cujo trabalho visou a apreensão de documentos que pudessem interessar à investigação”, lê-se no documento. 

O Público adianta que as buscas envolveram, além das casas de Jorge Nuno Pinto da Costa e do seu filho, Alexandre Pinto da Costa, o banco Carregosa, tendo a instituição confirmado que foi objeto de buscas, no âmbito de um inquérito “aberto contra entidades suas clientes”.

Alguns dos negócios envolvidos

Já a Sábado escreve que “um dos negócios de jogadores que já foi visto à lupa pelos investigadores é a compra e venda de Éder Militão. O FC Porto comprou o atleta ao São Paulo por “pouco mais de 8,5 milhões de euros (7 milhões pelo passe e cerca de 1,5 milhões de encargos adicionais)”, tendo ficado “com 90% dos direitos económicos do jogador”, e vendeu-o um ano depois ao Real Madrid, onde ainda joga. O negócio foi consumado por 50 milhões de euros, “que gerou uma mais-valia de 28.437.285 euros”, refere a publicação, adiantando que há contratos com outros jogadores também sob escrutínio das autoridades.

Em causa estarão ainda os contratos com a Altice para as transmissões dos jogos do FC Porto, cujos lucros terão parcialmente revertido para o filho de Jorge Nuno Pinto da Costa, escreve o Jornal de Negócios, acrescentando que além deste empresário, revelaram-se centrais na Operação Cartão Vermelho os empresários desportivos Bruno Macedo e Pedro Pinho.