Em 2025, as fortunas das sete famílias mais influentes na bolsa portuguesa registaram um aumento significativo, impulsionado pelo melhor desempenho do PSI dos últimos 16 anos, que valorizou quase 30%. Com o regresso da Teixeira Duarte ao índice, os seis clãs habituais passaram a sete, e o conjunto das suas riquezas atingiu cerca de 2,38 mil milhões de euros, aproximando-se de 19 mil milhões de euros em valor total.
Dentro deste leque, a única exceção foi a família Amorim, cuja fortuna diminuiu, devido à desvalorização das ações da Galp e da Corticeira. No entanto, a queda foi parcialmente compensada pelo aumento de dividendos.
Grande parte do crescimento das fortunas está associada a duas empresas do setor do retalho: a Jerónimo Martins, impulsionada pelo sucesso da Biedronka na Polónia, e a Sonae, com a marca Continente em Portugal. Para se entender este crescimento, vamos analisar individualmente cada família, tendo por base informações publicadas em alguns meios de comunicação portugueses.
Família Soares dos Santos
A família Soares dos Santos é um dos clãs mais influentes e ricos de Portugal, maioritariamente conhecida por controlar a Jerónimo Martins, a empresa dona de cadeias como o Pingo Doce, Recheio e a gigante de retalho Biedronka na Polónia. Esta ligação direta à bolsa portuguesa faz com que o valor dos seus ativos esteja fortemente ligado ao desempenho das ações da cotada no PSI.
Em 2025, a família gerida por Pedro Soares dos Santos viu a sua fortuna crescer de forma clara, com base em alguns fatores:
- Segundo o ECO, as ações da Jerónimo Martins valorizaram cerca de 10% ao longo de 2025;
- Aumento de aproximadamente 639 milhões de euros no valor da participação da família no mercado bolsista;
- A Jerónimo Martins distribuiu cerca de 370,8 milhões de euros em dividendos aos acionistas, parte dos quais foi recebida pela família Soares dos Santos.
Família Azevedo
A família Azevedo, liderada por Cláudia Azevedo (CEO da Sonae SGPS) e herdeira do grupo fundado por Belmiro de Azevedo, está entre as fortunas mais relevantes de Portugal. A sua riqueza está fortemente ligada à Sonae (inclui negócios como o Continente, retalho alimentar, tecnologia, telecomunicações e serviços), bem como à participação na NOS através da Sonaecom.
Esta família registou, no ano passado, um crescimento significativo da sua fortuna graças ao desempenho da Sonae e das suas participações, beneficiando de um ano positivo na bolsa portuguesa, que terminou com forte valorização das ações de retalho e telecomunicações.
O aumento da riqueza da família Azevedo em 2025 resultou de alguns fatores como:
- As ações da Sonae tiveram uma subida relevante em 2025, com uma valorização de cerca de 76,37%, segundo o Jornal de Negócios, impulsionada pelo bom desempenho de segmentos-chave como o retalho alimentar (Continente) e outras unidades do grupo;
- Esta valorização fez com que o valor total das participações da família se aproximasse de 704,6 milhões de euros só com as ações da Sonae, contribuindo fortemente para o aumento patrimonial geral.
- A família Azevedo beneficiou também dos dividendos de cerca de 62,8 milhões de euros pagos pela Sonae durante o ano;
- "Aos ganhos acumulados na Sonae há ainda que acrescentar as mais-valias na Nos, onde a Sonaecom detém uma participação de 37,37%. A valorização de 20,6% dos títulos da operadora “renderam” cerca de 186 milhões, entre dividendos e subida das ações", lê-se no artigo do ECO.
Família Queiroz Pereira
Outro dos “clãs” da bolsa que ficou mais rico este ano foi a família Queiroz Pereira, com grande parte do seu património ligada à Semapa, um grupo que controla empresas como a Navigator Company (pasta e papel) e ex-dona da Secil, vendida a uma empresa espanhola por 1,4 mil milhões de euros.
Em 2025, a fortuna da família cresceu de forma significativa, impulsionada pelo forte desempenho das ações da Semapa após estratégias corporativas relevantes, o que acabou por refletir‑se no valor bolsista da holding familiar. Com isto, o aumento do património da família, em 2025, deve‑se a dois fatores:
- De acordo com o Essential Business, as ações da Semapa valorizaram cerca de 47,4%, impulsionadas pela melhoria do desempenho financeiro, incluindo crescimento de lucros e planos estratégicos, como a venda da cimenteira Secil;
- Além da valorização das ações, a família também beneficiou de dividendos pagos pela Semapa, que contribuíram para o crescimento líquido da fortuna, explica a mesma publicação.
Família Mota
A família Mota está associada ao grupo Mota‑Engil, um dos maiores grupos portugueses de construção e engenharia, com operações em dezenas de países. No ano passado, a fortuna desta família aumentou significativamente devido, sobretudo, à forte valorização das ações da Mota‑Engil na bolsa portuguesa e aos dividendos associados. Segundo estimativas de desempenho do mercado, citadas pelo ECO, estes são alguns dos fatores:
- Valorização das ações: as ações da Mota‑Engil valorizaram cerca de 70% ao longo de 2025, um dos maiores ganhos em bolsa entre as empresas cotadas portuguesas no setor da construção. Isso fez com que o valor da posição acionista da família subisse de forma muito relevante;
- Crescimento em valor patrimonial: esta valorização traduziu‑se num acréscimo de cerca de 250,2 milhões de euros ao valor da posição da família na construtora;
- Dividendos: somando ainda os dividendos recebidos ao longo de 2025, o património familiar cresceu aproximadamente 268,6 milhões no total, atingindo cerca de 608,6 milhões em valor estimado no final do ano.
Este crescimento é justificado pelas ações da empresa, que tiveram um desempenho muito positivo no PSI em 2025.
Família Champalimaud
Em comparação com outras fortunas que tiveram ganhos de centenas de milhões, o crescimento do património da família Champalimaud foi mais modesto, mas ainda assim positivo em resultado da valorização das ações e dos dividendos recebidos.
Esta família, "liderada" por Manuel Champalimaud, viu a sua fortuna crescer em 2025 graças ao desempenho de uma das suas posições cotadas mais visíveis: a participação nos CTT (Correios de Portugal). De acordo com relatórios, citados pelo Essential Business, sobre o desempenho das maiores fortunas ligadas ao PSI em 2025, estas são algumas das razões pelas quais houve um crescimento:
- A principal contribuição para o crescimento patrimonial da família Champalimaud veio da valorização das ações dos CTT, das quais detêm mais de 14% do capital;
- Além da subida das ações, os dividendos distribuídos ao longo do ano reforçaram o ganho de riqueza, resultando em mais de 3,3 milhões de euros.
Família Teixeira Duarte
A família Teixeira Duarte é conhecida pela ligação ao grupo Teixeira Duarte, S.A., um dos maiores grupos portugueses no setor da construção e engenharia. Em 2025, além de ser um dos sete clãs mais ricos com presença na bolsa portuguesa, o crescimento do valor da sua fortuna esteve ligado sobretudo à valorização das ações da Teixeira Duarte, ao regresso da empresa ao índice PSI e à melhoria dos resultados financeiros operacionais ao longo do ano.
Segundo o Jornal de Negócios, o ano de 2025 foi muito positivo para o setor da construção, o que originou:
- Regresso ao PSI: a Teixeira Duarte voltou a integrar o principal índice nacional (PSI), o que aumentou a visibilidade da sua ação entre investidores e facilitou a valorização dos títulos ao longo do ano;
- Valorização extraordinária dos títulos: os títulos da construtora escalaram mais de 700% ao longo de 2025, refletindo uma recuperação significativa do valor de mercado da empresa;
- Aumento da fortuna: Graças a esta valorização, a fortuna da família cresceu cerca de 108 milhões de euros em 2025;
- Participação avaliada: No final do ano, a participação na empresa ficou avaliada em aproximadamente 124 milhões de euros.
Família Amorim
Apesar de o mercado bolsista português ter tido, em 2025, um dos melhores desempenhos em muitos anos, a família Amorim não beneficiou desse crescimento da mesma forma que outras fortunas familiares. De facto, as suas principais posições em empresas cotadas sofreram desvalorizações que impactaram negativamente o património do clã.
Segundo análises sobre o desempenho das maiores fortunas em bolsa em 2025:
- A família Amorim controla 55% da Amorim Energia, que por sua vez detém 33,34% da Galp Energia. Em 2025, as ações da Galp caíram de cerca de 15,95 euros para 14,63 euros, resultando numa desvalorização de aproximadamente 200,7 milhões de euros na posição acionista;
- A corticeira, tradicionalmente um dos pilares do património da família, foi uma das ações que mais perdeu valor no PSI, com uma queda de cerca de 17,9%, o que se traduziu numa perda de cerca de 136,7 milhões no valor da participação familiar;
- No total, o património bolsista ligado à família reduziu cerca de 212,8 milhões de euros em 2025.
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