Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

BES recebe 4900 milhões de euros de ajuda e muda de nome para Novo Banco

Autor: Redação

O cenário era feio, muito feio, mas ninguém, incluindo as autoridades internacionais, parecia pensar que o pior pudesse acontecer. Mas aconteceu e em Portugal. O buraco de mais de 4 mil milhões de euros do BES obrigou à intervenção do Banco de Portugal ontem à noite. Hoje, a parte boa da instituição financeira que cresceu e afundou pela mão de Ricardo Salgado chama-se Novo Banco e é propriedade do Fundo de Resolução bancária.

O Novo Banco é, no entanto, fundeado nos restantes bancos do sector, chamados de forma indirecta e directa a recapitalizar a parte boa do antigo BES, explica o Público. O valor global da injecção será de 4,9 mil milhões, sendo que o Estado emprestará ao sector financeiro cerca de 4,4 mil milhões da linha estatal negociada com a troika. Os restantes 500 milhões serão injectados pelo sistema, nomeadamente pela CGD, BCP, BPI, Santander, Montepio Geral, Banif, CCAM, através do Fundo de Resolução.

Ao não injectar verbas directamente no BES, mas por via do fundo de resolução (por empréstimos públicos ao sector financeiro), o Estado evita os impactos na dívida e no défice, pelo que, em princípio, os contribuintes não serão chamados a pagar pelos erros de gestão da equipa liderada por Ricardo Salgado, bem como pelos ilícitos que lhe são atribuídos, esclarece ainda o jornal Público.

A solução foi anunciada ontem ao final da noite pelo governador do BdP, Carlos Costa, e passa pela divisão do segundo maior banco (que a partir de amanhã deixa de estar cotado na bolsa) em dois: um banco-bom para onde serão transferidos os depósitos, os créditos sem risco e os activos rentáveis que se chamará Novo Banco; e um banco-mau, que preserva a marca BES, que receberá os créditos associados ao GES e às empresas satélites (como o BESA) ou sem condições de os pagar.

No banco-mau ficarão os actuais accionistas (GES, Credit Agrícole, PT, Bradesco) e os detentores de obrigações que responderão pelas perdas. O BES passará a ser gerido no quadro do BdP, tendo sido indicado como presidente Luís Máximo dos Santos, que geriu a falência do BPP.