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Guia para que o teu orçamento familiar não derrape como o do Estado

Autor: Redação

Artigo escrito por João Raposo (joao.raposo@reorganiza.pt), partner da Reorganiza, para o idealista News Portugal, no âmbito da rubrica "Trocado por Miúdos".

Por estes dias deves estar a ouvir em quase todos os lados referências ao Orçamento do Estado (OE). Pode ser que seja uma boa altura para te questionares sobre o teu orçamento: fazes um orçamento? Com que periodicidade? Fazes “de cabeça” ou pões por escrito?

Antes de mais: o que é um orçamento?
Podemos ter orçamentos muito complexos ou extremamente simples, mas um orçamento é sempre um documento que faz uma previsão do que serão as receitas e as despesas relativas a um determinado período.

Embora o Estado apresente um orçamento anual, o mais indicado para as famílias é fazer um orçamento mensal, uma vez que, em princípio, é com essa mesma periodicidade que recebes o salário e tens grande parte dos gastos.

Os dois lados de um orçamento:
Todos os orçamentos têm dois lados igualmente importantes: receitas e despesas. Por vezes damos mais importância ao lado das despesas porque é aquele que traz maiores dores de cabeça, mas de nada serve preocupares-te com as despesas se não souberes com rigor quais as tuas receitas.

Por isso, quando iniciares o teu orçamento começa por enumerar todas as receitas que esperas receber.

Infelizmente a lista das receitas é muito pequena, mas o seu valor tem de ser sempre superior ao total das despesas. A receita que tem maior importância é o salário, mas podes ter outras receitas que, mesmo pequenas, não deves deixar de fora do orçamento: abonos, horas extras, juros de algum depósito bancário, entre outros.

Há valores que já sabes ao certo quanto serão, mas há outros que tens de estimar, por isso, é bom que todos os meses vás tentando aproximar o melhor possível a estimativa à realidade.

Só depois de teres quantificado as receitas é que deves olhar para as despesas. Do lado das rúbricas das despesas, infelizmente, a lista é significativamente maior.

No entanto, deves contemplar todas (mas mesmo todas) as despesas. Por exemplo, se sabes que todos os dias vais tomar 2 cafés fora de casa, deves colocar esse valor na coluna do que esperas gastar naquele mês. Mesmo sendo um valor pequeno não deves deixar de fora, pois estes pequenos gastos podem ser a resposta à questão: “mas onde gastei o dinheiro que agora me falta!?”.

É essencial que distingas as despesas fixas (as mais importantes) das despesas variáveis (de desperdício). As despesas fixas são aquelas que tens e que sem elas não consegues viver (casa, comida, saúde, educação) e as despesas variáveis são todas aquelas despesas que podes eliminar, ou pelo menos reduzir o seu valor.

O que diferencia as despesas fixas das variáveis não é se elas ocorrem sempre ou só de vez em quando. O critério deve estar na importância que têm para o teu dia-a-dia e não na periodicidade. Este exercício é fundamental para perceberes onde podes vir a reduzir os teus gastos.
 
Situação líquida:
A situação líquida é um cálculo simples e que indica a saúde financeira do teu orçamento. Todos os meses calculas o total das receitas e diminuis ao total das despesas. Esse valor tem de ser sempre superior a zero! Se ao fazeres o cálculo da situação líquida o valor for negativo, então estás numa situação de défice.

Como o teu orçamento não é como o do Estado, que pode estar em défice há mais de 40 anos sem ir à falência, tens mesmo de equilibrar as contas: aumentando as receitas ou diminuindo as despesas. No entanto, é mais fácil deixar de gastar 1 euro, do que que ganhar 1 euro.