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Salário: sabes quanto ganhas realmente por hora?

Autor: Redação

Artigo escrito por João Raposo (joao.raposo@reorganiza.pt), partner da Reorganiza, para o idealista News Portugal, no âmbito da rubrica "Trocado por Miúdos".

Provavelmente já ouviste falar do salário bruto, do salário líquido e do salário base, mas sabes o que significa o salário real?

De forma resumida o salário bruto, ou também chamado de salário ilíquido, é o valor que a empresa paga pelo trabalhador antes de retirar o montante relativo a impostos. É sobre este valor que é calculado o escalão de IRS e a respetiva taxa de imposto.

O salário base é o valor de incidência sobre o qual são efetuados os cálculos dos rendimentos dos trabalhadores. O salário base não contém os subsídios e os descontos para o Estado. O salário líquido é o valor que devemos considerar para o orçamento familiar, pois é aquele dinheiro que realmente entra na conta e que temos para gerir ao longo do mês.

Mas, o que será então o salário real?

Quando tomas uma decisão de consumo, é útil comparares o custo daquilo que estás a comprar face ao salário que recebes por hora. Isto é, antes de decidires se vais àquele concerto, àquele jantar, ou comprar um pacote de cereais, convém que te questiones: “justifica-se gastar 25 euros sabendo que o salário por hora é de 4 euros? Quantas horas de trabalho estão investidas naqueles 25 euros?”.

Estes valores são apenas um exemplo, mas repara que para chegar ao valor de 4 euros/hora, geralmente as pessoas fazem o cálculo com base no salário líquido dividido pelo número de horas de trabalho mensal. Por exemplo: se receberes 700 euros líquidos e trabalhares 176 horas mensais, o salário por hora é 4 euros.

Este cálculo está correto, mas a verdade é que para ganhar este valor líquido o trabalhador costuma ter determinadas despesas obrigatórias para poder ir trabalhar, como por exemplo: o custo do passe, do combustível, refeição fora de casa, ou, em algumas profissões, até custos com vestuário.

Assim sendo, é mais realista considerar como salário disponível para os gastos mensais, não o salário líquido, mas sim aquilo a que chamamos de salário real, isto é, o salário líquido menos o valor das despesas para ir trabalhar.

Porque é que deves atribuir importância a este valor?
Imagina que tens de gastar 150 euros/mês só para ir trabalhar. Desta forma, o teu salário real passa a ser de 550 euros (700-150 euros) e o salário por hora, já não é mais 4 euros, mas sim 3,125 euros

Tomar consciência deste valor do salário real/hora é um exercício que pode ser muito útil como critério antes de decidires por determinada despesa.

Repara que, neste exemplo, quando o trabalhador gasta 25 euros num jantar ele tem de trabalhar 8 horas (1 dia completo de trabalho) para pagar essa refeição. Justifica-se trabalhar um dia inteiro para poder gastar 25 euros num jantar, num concerto ou nuns cereais? Pode ser que sim… pode ser que não… É uma resposta que cada um deverá saber dar conforme as suas circunstâncias face ao seu salário real.

Nos exemplos acima falámos de decisões de consumo como um jantar ou um espetáculo musical, mas podes fazer este raciocínio para todas as vezes em que tens de gastar dinheiro. Se tiveres um orçamento familiar mensal podes mais facilmente verificar o teu salário real face a qualquer uma das despesas. Imagina um fumador que consuma todos os dias 1 maço de tabaco, e que receba um salário idêntico ao do exemplo acima, este trabalhador teria de dedicar mais de 38 horas/mês (quase 5 dias inteiros de trabalho) para satisfazer o seu vício!

Justifica-se?

Este raciocínio não é para deixar-te deprimido porque afinal recebes menos do que pensavas. Este raciocínio pretende servir como estímulo para conseguires eliminar, ou reduzir, as despesas de desperdício e assim conseguires ter uma organização mais criteriosa no orçamento familiar.

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