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Já pensaste em renegociar as tuas dívidas?

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Autor: Redação

Artigo escrito por João Raposo (joao.raposo@reorganiza.pt), partner da Reorganiza, para o idealista News Portugal, no âmbito da rubrica "Trocado por Miúdos".

Provavelmente não tens consciência disso mas o nível de endividamento das famílias portuguesas é praticamente o mesmo que o valor do Produto Interno Bruto (PIB) do nosso país. Em média, uma família tem 7 linhas de crédito, que podem ser créditos hipotecários, automóvel, pessoal, ou o aparentemente inofensivo cartão de crédito.

O mercado português está inundado de bancos e instituições de crédito que concederam (e algumas continuam a conceder) financiamento com demasiada facilidade, são os chamados “credit attackers”. 

O facto de concederem crédito com demasiada facilidade é sinónimo que estes credores fazem uma avaliação de risco mais ampla, pelo que, o elevado risco que os “credit attackers” se sujeitam acaba por estar refletido nas elevadas taxas de juro que cobram aos clientes. Não te esqueças que os juros cobrados têm de suportar o risco inerente ao facto dos credores emprestarem dinheiro. Nestes casos, como há poucas garantias exigidas eles sabem que há maior probabilidade de incumprimento, logo, precisam de recuperar o dinheiro “mal parado” através da carteira global de empréstimos com juros muito elevados (para pensares: sabes qual a taxa de juro associada ao teu cartão de crédito?).

Assim sendo, e como há cada vez mais clientes em incumprimento, os bancos e instituições financeiras estão mais recetivos à negociação dos empréstimos, antes mesmo de o cliente cair em incumprimento. Para facilitar esta negociação, seja clientes já em incumprimento seja para clientes em risco de incumprir, foram criados dois mecanismos legais que forçam os credores a analisar os processos e apresentar propostas concretas.

Estes mecanismos são conhecidos como PARI (Plano de Ação para o Risco de Incumprimento) e PERSI (Procedimento Extrajudicial para Regularizar Situações de Incumprimento). Através desta lei (Decreto-Lei n.º 227/2012, de 25 de outubro) é feito um apelo aos credores para adotarem medidas de prevenção do incumprimento dos créditos e que façam todos os esforços para ajudar na regularização dos mesmos. Esta lei obriga que as instituições respondam às propostas de renegociação com um prazo de 30 dias, após a receção de toda a documentação exigida – documentação essa que pode variar de credor para credor.

Cada caso é um caso, mas geralmente as renegociações passam por mecanismos que fazem baixar a prestação mensal através de alargamento do prazo, período de carência de capital ou até alterações das taxas de juro. Pode ser que faça sentido aceitar estas novas condições porque trazem uma essencial folga orçamental, mas nunca te esqueças de que os bancos vão procurar ganhar dinheiro de outras formas, por isso, avalia bem os custos e os benefícios de cada renegociação dos teus contratos de crédito.

Para saberes o ponto de situação de todos os teus créditos podes consultar o sítio do Banco de Portugal e aceder ao menu “Mapa de Responsabilidades de Crédito”. A autenticação faz-se através do número de contribuinte e senha de acesso ao portal das finanças, ou o pin associado ao cartão de cidadão.  

Se precisares de ajuda no processo de renegociação podes solicitar este serviço a empresas que estão especializadas nestas áreas de atuação. A reorganização dos teus créditos pode ser a “boia de salvação” para os tempos de maior aperto financeiro.