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Panama Papers: Agora foi a vez de o ministro da Indústria de Espanha pedir a demissão

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Autor: Redação

O ministro da Indústria de Espanha, José Manuel Soria, demitiu-se esta sexta-feira (dia 15) do cargo, renunciando igualmente ao assento de deputado pelo PP, na sequência do seu envolvimento nos Panama Papers (Papéis do Panamá). O seu nome, e de membros da sua família, apareceu associado a empresas offshore que constam na investigação.

O ministro deu explicações contraditórias nos últimos dias, primeiro desmentindo a informação e depois afirmando que não se lembrava de ter assinado os documentos que a imprensa sucessivamente ia divulgando.

Segundo a Lusa, Soria explicou, em comunicado, que a sua renúncia à atividade política acontece “à luz da sucessão de erros cometidos ao longo dos últimos dias na explicação das [suas] atividades empresariais anteriores à [sua] entrada na política em 1995”.

Soria considera que esses erros se deveram à “falta de informação precisa sobre factos que ocorreram há mais de 20 anos” e “sem prejuízo de que tais atividades empresariais tenham tido vínculo algum com o exercício das responsabilidades políticas”.

Para o ex-ministro, a presença no Governo e no PP estaria a causar "um dano evidente” ao executivo, ao seu partido, aos seus camaradas de militância e aos votantes “populares”.

As contradições de Soria, antigo presidente da Câmara de Las Palmas (Ilhas Canárias), neste processo começaram segunda-feira (dia 11), quando o jornal El Confidencial e a televisão La Sexta (que integram o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação) noticiaram que este tinha sido diretor de uma empresa offshore criada pelo escritório de advogados Mossack Fonseca.

Segundo o El Confidencial, Soria tinha sido administrador, durante alguns meses em 1992, da empresa UK Lines Limited, inscrita nas Bahamas pelo escritório de advogados panamenho. A Mossack Fonseca pediu na altura que o nome de José Manuel Soria fosse mudado para o do seu irmão Luís, alegando que tinha havido um erro na nomeação dos administradores.

A empresa foi dissolvida em março de 1995, poucas semanas antes de começar a campanha eleitoral para a Câmara de Las Palmas, que Soria ganhou.

Logo na segunda-feira, em Lanzarote, o ministro negou ter alguma ligação com sociedades radicadas no Panamá ou em qualquer outro paraíso fiscal. Reconheceu, no entanto, que conhecia a empresa UK Lines Limited, por ser uma das empresas com as quais as sociedades da sua família tinham relações comerciais.

Também afirmou que não sabia a razão de o seu nome aparecer nos documentos mostrados pela imprensa. No mesmo dia, no Congresso dos Deputados em Madrid, Soria disse que o seu nome nos documentos era “um erro” e que se tinha apercebido no próprio dia de que “era secretário da empresa UK Lines”.

Na terça-feira, a imprensa espanhola noticiou que a UK Lines, sediada no Reino Unido, foi propriedade do pai de Soria e que o ministro tinha sido administrador. Soria insistiu que não sabia: “Apercebi-me esta manhã de que consto no Registo Mercantil de Londres como secretário da UK Lines” entre 1991 e 1997, sublinhou, salientando que tudo era “um erro”.

Na quarta-feira a imprensa mostra que os documentos que Soria dizia desconhecer tinham sido assinados pelo próprio. O tema provoca desconforto no Governo e no PP espanhol, ainda que ninguém tenha defendido abertamente a sua demissão, escreve a Lusa.

Ontem (dia 14), o jornal El Mundo noticiou que Soria ocultou o facto de ter sido administrador (até 2002) da empresa Mechanical Trading Limited, uma sociedade na ilha britânica de Jersey Jersey, considerada o paraíso fiscal com maior volume de fundos em todo o mundo. A Mechanical Trading Limited foi constituída em 1993 e era detida em 80% pela empresa familiar Soria Oceanic Lines.