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Quem anda “às compras” imobiliárias em Lisboa e Porto? A CE mandou fazer um estudo

As duas cidades portugueses integram um conjunto de oito que estão “sob escrutínio” de Bruxelas

Nienke Broeksema/Unsplash
Nienke Broeksema/Unsplash
Autor: Redação

Lisboa e Porto entraram definitivamente no radar dos investidores imobiliários. Mas quem é que são estes investidores que andam “às compras” em Portugal? A Comissão Europeia (CE) está a patrocinar a realização de um estudo que aborda a questão da financeirização da habitação em oito cidades europeias, incluindo a capital portuguesa e a Invicta. Os resultados visam ajudar na definição de novas políticas.

O estudo em causa está a ser elaborado pelo Joint Research Centre e envolve as cidades de Amesterdão (Holanda), Atenas (Grécia), Barcelona (Espanha), Berlim (Alemanha), Paris (França), Vílnius (Lituânia) e as portuguesas Lisboa e Porto. Segundo o Público, a escolha das metrópoles foi determinada pela rede de contactos construída pelo grupo de investigadores e que inclui câmaras municipais, universidades, centros de investigação, consultores e peritos imobiliários.

A investigação visa perceber qual a extensão da presença de grandes investidores globais nas cidades europeias nos últimos anos, tendo como objectivo identificar que tipo de players está presente em cada cidade e cruzá-los com as medidas políticas que foram ou irão ser implementadas e discutidas em cada caso.

Para Ricardo Barranco, investigador do Joint Research Centre da CE, que funciona em Ispra (Itália), os resultados podem ser muito relevantes na definição de novas políticas. “Durante o projeto apercebemo-nos que o aumento dos custos com habitação é um fenómeno abrangente, com várias determinantes e que a sua eventual resolução não é uma tarefa simples ou comum a todas as cidades”, alertou, citado pela publicação.

De acordo com o responsável, “uma maior e contínua recolha de dados para monitorizar estes fenómenos e eventuais mudanças é fundamental”. “Existe cada vez mais e melhor informação, mas há ainda muita dificuldade no que concerne à identificação e caracterização dos investidores de maior dimensão”, adiantou Ricardo Barranco.

Em causa estão, por exemplo, grandes fundos de investimento internacionais, que se mexem e se desenvolvem sobretudo nas esferas financeiras e especulativas, e cuja actuação acaba por ter impactos reais de microescala, ao nível de cada fogo/imóvel, refere o Público, frisando que o facto dos bancos estarem a reduzir o crédito malparado permitiu que os fundos imobiliários passassem a ser senhorios de milhares de inquilinos.

Portugal é o único país representado por duas cidades, porque quando contactámos o Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade do Porto percebemos rapidamente que disponham de dados interessantes para ambas as cidades”, explica Ricardo Barranco. A data para revelar as conclusões publicamente ainda está por ser dada a conhecer.