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Imobiliário de rendimento atinge recorde em plena pandemia: 1.700 milhões transacionados

Trata-de de "um valor nunca antes alcançado no primeiro semestre de anos anteriores", segundo a análise da consultora CBRE.

Photo by Drew Beamer on Unsplash
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Autor: Redação

Apesar dos efeitos causados pela pandemia da Covid-19, o mercado de investimento imobiliário em Portugal conseguiu manter grande dinamismo ao longo do primeiro semestre de 2020. O imobiliário de rendimento é um exemplo: reportou na primeira metade do ano o valor recorde de 1.700 milhões de euros transacionados, “valor jamais alcançado no primeiro semestre de anos anteriores”, segundo a análise do departamento de Research da CBRE.

De acordo com a consultora, metade do volume de investimento reportado foi alocado a ativos de retalho, 27% a hotéis e 22% a escritórios. A CBRE destaca três grandes negócios durante este período, nomeadamente a aquisição por parte da seguradora francesa Allianz e do fundo de pensões Finlandês Elo de 50% do Sierra Fund que integra os centros comerciais Colombo, CascaiShopping, NorteShopping e Vasco da Gama; a compra do portefólio de 10 hotéis Real Palácio pelo grupo Palm Invest e ainda um portefólio de 8 edifícios de escritórios pela Cerberus.

O departamento de Research da CBRE fez ainda uma projeção de mercado até ao final do ano, adiantando que a expectativa para a segunda metade de 2020 é de um investimento em imobiliário de rendimento na ordem dos 1.000 milhões de euros.

“Existem atualmente algumas transações de dimensão elevada em comercialização que nos levam a projetar um volume de investimento para o segundo semestre em torno dos 1.000 milhões de euros”, refere a Cristina Arouca, diretora de Research da CBRE, citada em comunicado, acrescentando que, no ano de 2020, "poderão ser investidos no setor imobiliário de rendimento, aproximadamente 2.700 milhões de euros, posicionando 2020 como o terceiro ano de maior investimento já observado em Portugal”.

“A maioria dos ativos são escritórios, mas prevêem-se também transações de projetos de habitação para arrendamento (built to rent), uma classe de ativos com elevada procura nos EUA e na Europa, mais ainda com uma reduzida expressão em Portugal”, adianta a responsável.

Escritórios com quebras, comércio a duas velocidades

O segmento dos escritórios evidenciou no primeiro semestre de 2020 um decréscimo na ocupação de 24% relativamente ao período homólogo de 2019. “Embora o surto de Covid-19 tenha contribuído de forma óbvia para esta quebra”, escreve a CBRE, foram celebrados alguns negócios, iniciados antes da pandemia, que permitiram assegurar parte da performance deste segmento. Destaque para o arrendamento, por parte do BPI, de 16.500 metros quadrados (m2) no Monumental e a aquisição, para ocupação própria, dos edifícios Natura Towers, com 10.500 m2, pela Cofidis. 

No comércio, diz a consultora, encontra-se um mercado a duas velocidades, isto é, os retail parks e o comércio de rua de bairro e, por outro, os centros comerciais e as zonas de comércio prime. “Os formatos mais abertos como os retail parks beneficiaram de uma maior procura num contexto de preocupação com o distanciamento social e higienização, revelando um maior acréscimo no footfall. O comércio de rua de bairro foi auxiliado pela confiança, proximidade e pela maior permanência das pessoas nas suas zonas de residência, devido ao teletrabalho”, explica a CBRE.

O número de visitantes dos centros comerciais tem vindo a aumentar gradualmente desde o início de junho, quando foram autorizados a reabrir. Ainda assim, os primeiros sete meses do ano evidenciaram uma redução acumulada de visitantes de 38%, face ao mesmo período de 2019. O comércio de rua nos eixos prime, de resto, será o mais afetado devido à dependência do turismo estrangeiro, ainda de acordo com a consultora.

O setor logístico, no qual foram ocupados 46.000 m2 no primeiro semestre, registou um “nível de absorção idêntico” ao do período homólogo dos últimos dois anos. “Apesar de um aumento do comércio online durante o confinamento, não se verificou uma procura relevante por espaços de logística adicionais”, afirma a CBRE.