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Investimento em imobiliário comercial na Europa (só) regressará aos níveis pré-Covid-19 em 2022

Apesar da crise pandémica, o mercado imobiliário comercial da Europa está bem posicionado para recuperar, conclui a CBRE.

Free-Photos por Pixabay
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Autor: Redação

O volume de investimento imobiliário comercial europeu deverá ter uma quebra de 25% em 2020 e aumentar entre 5% e 10% em 2021, sendo que a retoma aos níveis pré-Covid-19 apenas acontecerá em 2022. Esta é uma das conclusões do relatório EMEA Real Estate Market Outlook 2021, publicado recentemente pela CBRE. Segundo a consultora imobiliária, apesar da crise provocada pela pandemia da Covid-19, o mercado imobiliário comercial da Europa está bem posicionado para uma recuperação.

“O apetite por ativos continua forte, especialmente para ativos de logística, habitação multifamiliar e escritórios prime nos principais mercados, e este interesse deve manter-se em 2021. Deverão ocorrer no curto prazo algumas vendas forçadas, nomeadamente de ativos de hotelaria e de retalho secundários”, refere a empresa, em comunicado.

A CBRE adianta que a procura de escritórios para arrendamento foi prejudicada pelas medidas de confinamento, tendo caído 40% nos três primeiros trimestres de 2020, face ao período homólogo, mas antecipa “alguma recuperação em 2021, com a procura por produtos de qualidade com oferta de comodidades, em zonas centrais das cidades”. 

“As taxas de disponibilidade devem continuar a aumentar em toda a Europa, o que acentuará a pressão sobre o valor das rendas observada desde o primeiro trimestre de 2020. Os ocupantes também devem executar estratégias de ‘workplace’ mais ágeis, posicionando-se com alternativas de espaços de trabalho mais diversificadas. Alguns irão reduzir o espaço ocupado no escritório, apoiar o aumento do trabalho remoto e começar a introduzir modelos de trabalho baseados em escolhas, incluindo uma maior utilização de espaços flexíveis. Os impactos não serão imediatos, nem generalizados, mas poderão refletir-se em alguma redução na procura para arrendamento, a qual, no entanto, poderá ser compensada por uma retoma do crescimento económico, níveis mais reduzidos de densidade de ocupação do espaço, e uma preferência crescente por edifícios de qualidade superior e com melhores condições tecnológicas e de bem-estar”, lê-se no documento.

De olhos postos na habitação multifamiliar e nos ‘data centers’ 

A CBRE antevê que “o comércio online, acelerado pela pandemia, deverá crescer ainda mais e continuar a impulsionar a procura por espaços de logística em 2021”, pelo que a renda prime neste segmento deverá aumentar a uma taxa de 1,9% ao ano no período 2020-2024.

Ativos imobiliários como a habitação multifamiliar e os ‘data centers’ também mostraram resiliência durante a crise da Covid-19. A habitação multifamiliar apresentou níveis robustos de ocupação e de cobrança de rendas em comparação com outros setores e a CBRE espera que o investimento nesta classe de ativos atinja níveis recorde em 2021. O aumento no investimento em ‘data centers’ verificado em 2020 irá continuar em 2021, contribuindo para o aparecimento de novos ‘hubs’ de ‘data center’ em toda a Europa. Em 2021 deverá verificar-se um recorde de capacidade em novos ‘data center’, a qual deverá ser ainda superior em 2022, atendendo à procura crescente”, conclui o relatório.

No que diz respeito aos setores da hotelaria e do lazer e entretenimento, “irão manter-se sob pressão”, nota a consultora, antevendo, por seu turno, que “ativos operacionais com características mais resilientes, como a saúde, terão melhores resultados”. 

Para Cristina Arouca, Head of Research Portugal da CBRE, não há dúvidas de que a pandemia “criou enormes disrupções nos mercados imobiliários em 2020, provocando um fim abruto no ciclo económico que se vivia”. “Como acontece com todas as crises, os impactos e a recuperação não serão uniformes em todos os setores e geografias, mas novas oportunidades surgirão, e a expetativa de implementação de um plano de vacinação em breve leva-nos a acreditar numa recuperação sustentável com a entrada em 2021”, afirmou.