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Projeto imobiliário em Cascais em terrenos que eram do BES gera polémica

Em causa está a eventual construção de um shopping na Aldeia de Juso, num terreno que foi do BES e é agora da PVCascais Retail.

Projeto imobiliário em Cascais em terrenos que eram do BES gera polémica
Imagem do projeto que poderá vir a nascer na Aldeia de Juso / Site da Foz Vintage
Autor: Redação

A eventual construção de um shopping na Aldeia de Juso, em Cascais, arredores de Lisboa, está a ser contestada pelos locais e pela população das localidades vizinhas. Em causa está um lote de terreno que pertenceu ao BES, que o vendeu ao desbarato. No local estão a ser construídas infraestruturas (saneamento, esgotos, telecomunicações) e arruamentos. 

Segundo a SÁBADO, a maioria dos locais e a população das localidades vizinhas contestam aquilo que poderá vir a ser um outlet, equivalente em tamanho a 70% do Cascais Shopping. “Uma monstruosidade urbanística”, referem. 

O terreno em causa foi vendido pelo BES em 2008, recorda a publicação, adiantando que o banco emprestou 15 milhões de euros à sociedade imobiliária Euroshetland para a compra do tal lote vendido pela Alcatel. Mais tarde, em 2011, a entretanto extinta Logopark, antes Euroshetland, vendia por 15,986 milhões de euros o mesmo ativo ao Espírito Santo Fundos de Pensões SA para saldar a dívida ao BES.

Já em 2017, e depois do colapso do BES, refere a SÁBADO, o Fundo de Pensões do Novo Banco (antes do Espírito Santo e recapitalizado pelos contribuintes) vendia à sociedade imobiliária PVCascais Retail o mesmo ativo, mas a preço de saldo, por cerca de 10,5 milhões de euros, à empresa criada nesse ano, com um capital social de 50 mil euros. Recorrendo a peritos imobiliários, a publicação escreve que os terrenos em causa valeriam, em 2017, bem mais, cerca de 25 milhões de euros.

Sobre o negócio e o futuro do espaço, os intervenientes do negócio – a PVCascais Retail, cuja empresa-mãe é a promotora imobiliária Foz Vintage, no Porto, e a Sociedade Gestora de Fundos de Pensões do Novo Banco – remeteram-se ao silêncio.

Já a Associação de Defesa da Aldeia de Juso (ADAJ), com mais de 300 membros, disse estar a ponderar dar conhecimento das transações realizadas ao Ministério Público (MP), para que se investigue a legalidade das mesmas. 

A eventual construção de um shopping nos terrenos está a dividir a população. Certo é que a Câmara Municipal de Cascais assegura, citada pela publicação, que não há qualquer licenciamento em curso para o lote. “Logo não há factos sobre os quais se deva pronunciar,
sendo até um pouco bizarro ter de voltar a negar uma não existência”, disse fonte oficial.