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Fim dos vistos gold? “Não é um tiro no pé, é um tiro nos dois pés”

Patrícia Barão, Head of Residential da JLL, considera que a alteração irá afetar, sobretudo, a reputação do país. Ainda assim, identifica zonas de "novas oportunidades".

Photo by Paulo Evangelista on Unsplash
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Autor: Redação

O fim dos vistos gold nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto está próximo - as restrições entram em vigor já a 1 de janeiro de 2022. Para Patrícia Barão, Head of Residential da JLL, o término do programa “não é um tiro no pé, é um tiro nos dois pés”. Não tanto devido ao seu impacto “efetivo” no mercado, uma vez que tem um peso reduzido no volume total de transações, mas em termos de reputação para o país, que assim estará a “desviar” investimento para outras cidades europeias.

No âmbito da apresentação do estudo ‘Living Destination’ da JLL, esta terça-feira, dia 19 de outubro, Patrícia Barão disse aos jornalistas que, num primeiro momento, aquando da entrada da lei em vigor, se irá verificar uma “quebra por falta de confiança”, mas admite que esta alteração poderá trazer “novas oportunidades” para outras geografias, como o litoral alentejano (Troia, Comporta, Melides etc..), Madeira e algumas zonas do Douro.

Alteração aos vistos gold poderá trazer “novas oportunidades” para outras geografias, como o litoral alentejano (Troia, Comporta, Melides etc..), Madeira e algumas zonas do Douro.

Recorde-se que o Governo aprovou no final do ano passado o diploma que altera o programa de Autorizações de Residência para Atividade de Investimento (ARI), determinando o fim da atribuição dos chamados vistos gold nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, numa tentativa de canalizar investimento para territórios do interior ou ilhas. A lei atual permite conceder autorização de residência a quem adquira imóveis de, pelo menos, 500 mil euros, independentemente da região.

De acordo com os últimos dados estatísticos do SEF, o investimento captado através dos vistos gold recuou 38% em agosto, em termos homólogos, para 35,3 milhões de euros, mas subiu quase 60% face ao mês anterior. Nesse mês, foram concedidos 64 ARI, dos quais 56 por via da aquisição de bens imóveis (16 para reabilitação urbana) e oito através do critério de transferência de capitais. A compra de bens imóveis totalizou em agosto um investimento de 30,4 milhões de euros, dos quais 5,9 milhões de euros para reabilitação urbana, enquanto a transferência de capitais somou mais de 4,8 milhões de euros.