Complexo desportivo do Boavista supera valor mínimo em leilão

Um lance de 6,5 milhões de euros superou os 5,9 milhões fixados como base para o complexo adjacente ao Estádio do Bessa, confirma a Leilosoc.
Estádio do Bessa
Vincenzo.togni, CC BY-SA 4.0 Creative commons

O leilão do património imobiliário do Boavista teve, na semana passada, um ponto de viragem, com a venda do complexo desportivo adjacente ao Estádio do Bessa a superar o valor mínimo, enquanto o histórico recinto axadrezado continuou sem qualquer proposta formal.

Segundo avançou o jornal A BOLA, o complexo desportivo – que inclui uma parcela com capacidade construtiva – foi alvo de uma forte disputa na fase final do leilão da Leilosoc, acumulando perto de duas dezenas de lances até atingir os 6,5 milhões de euros, acima dos 5,9 milhões fixados como valor base. O diário desportivo referia mesmo que o ativo estava vendido por esse montante.

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Contudo, fonte oficial da Leilosoc explicou à agência Lusa que, do ponto de vista jurídico, o complexo ainda não está definitivamente alienado. Em causa está o facto de ter existido também uma oferta pelo conjunto dos dois lotes – estádio e complexo – no valor de 25,7 milhões de euros, abaixo do mínimo global de 32,9 milhões, mas que terá agora de ser apreciada pelos credores.

“O complexo não está vendido. Estamos à espera que a proposta para a compra dos dois lotes seja aceite. Apesar de não ter atingido o valor mínimo, isso não quer dizer que não possa vir a ser aceite”, afirmou a mesma fonte à Lusa, explicando que se segue um período de ponderação “de quase uma semana”, durante o qual os credores serão notificados do resultado do leilão e dirão se aceitam ou não o valor em causa.
“Se assim for, a venda isolada do complexo cai e o conjunto acaba por ser vendido em detrimento das partes”, acrescentou.

O contraste faz‑se com o Estádio do Bessa XXI, que, de acordo com A BOLA e a Lusa, não recebeu qualquer licitação quando oferecido em separado, apesar do valor mínimo fixado em 27,016 milhões de euros. O recinto, reinaugurado em 2003 e um dos dez estádios do Euro 2004, continua assim sem destino definido, permanecendo o principal ativo imobiliário do clube num processo de insolvência.

Desde 20 de abril, o estádio e o complexo estavam em leilão eletrónico na plataforma da Leilosoc. O leilão insere‑se no processo de insolvência do Boavista Clube e da Boavista SAD, depois de o clube ter visto aprovada, em setembro de 2025, a sua liquidação, com dívidas acumuladas superiores a 150 milhões de euros, cenário extensível à sociedade anónima desportiva. Em abril tinham já sido vendidos, também em hasta pública, uma loja e 28 garagens, enquanto dois apartamentos nas imediações do Bessa voltaram a leilão sem atingirem os valores mínimos.

*Com Lusa

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