O movimento Parar o Hotel no Quartel da Graça, em Lisboa, alertou para a perda de 13 milhões de euros pelo Estado caso seja aceite o pedido do grupo Sana para adiar o início dos pagamentos das rendas para 2030.
“Caso o Estado aceite os pedidos atualmente em análise, o início dos pagamentos seria adiado em mais de seis anos relativamente à data prevista no contrato, correspondendo a um benefício financeiro para este grupo hoteleiro de mais de 11 milhões de euros em rendas não pagas”, afirmou o movimento, em comunicado, salientando que “somando os juros de mora e as penalidades contratuais, está em causa uma perda de 13 milhões de euros para o Estado e contribuintes”.
O jornal Público deu conta de que o grupo hoteleiro pediu o alargamento da concessão do Monumento Nacional situado em Lisboa para 75 anos e o início dos pagamentos das rendas apenas em março de 2030, alegando demora na obtenção da necessária licença para obras da Câmara Municipal de Lisboa (CML).
O Ministério das Finanças pediu um parecer à sociedade de advogados PLMJ para avaliar este caso.
O grupo Sana ganhou a concessão por 50 anos do Quartel da Graça em outubro de 2019, no âmbito do programa Revive, para a construção de um hotel de cinco estrelas, tendo o contrato sido assinado em dezembro do mesmo ano, prevendo que a renda teria de ser paga, pelo menos, a partir do início de 2024, o que não aconteceu.
Os moradores referiram que o contrato estabelece que “o concessionário assume expressa, integral e exclusivamente a responsabilidade pelos riscos inerentes à realização da obra e à exploração da atividade”, pelo que consideram que “esta disposição contratual poderá contrariar a fundamentação apresentada para justificar os sucessivos pedidos de prorrogação”.
Adicionalmente, vincaram, o grupo hoteleiro “omite as várias correções que teve de fazer ao projeto por erros da sua responsabilidade e finge ignorar que, por anos a fio, deixou o património concedido ao abandono, com custos incalculáveis”.
O movimento exigiu ao Governo que esclareça porque não exige o pagamento imediato dos valores de renda em falta e “porque não pondera a revogação de um contrato tão contestado pela população local”.
Já à CML, os moradores exigem que “clarifique se, tal como argumenta o grupo Sana, cometeu erros que poderão resultar numa perda de 13 milhões de euros para o erário público”, instando o presidente, Carlos Moedas (PSD), a aceitar deslocar-se ao bairro para prestar esclarecimentos públicos.
A petição Parar o Hotel no Quartel da Graça, pelo fim do projeto hoteleiro e pela colocação do monumento ao serviço da comunidade, conta com mais de 11.000 assinaturas.
A Lusa questionou o grupo Sana, o Governo e a CML, mas sem sucesso até ao momento.
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