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Contas à vida: os gastos com a casa em 2020

Na hora de fazer o orçamento doméstico, além do valor da renda ou da prestação do banco, é preciso contabilizar as faturas de impostos, energia, água e outras.

Photo by Eugene Chystiakov on Unsplash
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Autor: Redação

Tudo indica - salvo surpresas inesperadas - que os portugueses vão beneficiar em 2020 de um aumento do poder de compra, graças à melhoria das condições económicas e à quebra do desemprego, a par de uma subida média esperada dos salários acima da inflação. Ainda assim, há que fazer contas à vida e preparar o ano que acaba de arrancar, porque há aumentos à vista e as contas em casa vão somando e o dinheiro saindo. Para te ajudar nesta missão, compilámos alguns dos principais gastos com que podes contar referentes à vida do lar - fora todas as outras despesas que possas ter.

Preços das casas para comprar continuam a subir

O custo da habitação mantém a trajetória de subida em Portugal, tendo fechado o terceiro trimestre de 2019 com uma subida de 10,3%, segundo divulgou recentemente o Instituto Nacional de Estatística (INE)

Ainda que o Banco de Portugal (BdP) antecipe que o setor residencial possa vir a registar uma moderação do crescimento dos preços, tendo em conta o “abrandamento da atividade económica, a redução na procura de imóveis para alojamento local e o aumento da oferta”, a agência Moody’s prevê, por outro lado, aumentos na habitação de 4% para este ano, um dos mais altos na União Europeia (abaixo de Espanha, Irlanda e Holanda). Também o Bankinter antevê um encarecimento no preço das casas em Portugal, na ordem dos 4,5% este ano e 3% no próximo. 

Rendas mais caras, mas pouco

Em contrapartida, no mercado de arrendamento vai registar-se este ano um pequeno aumento. A atualização anual depende da inflação registada nos 12 meses até agosto, que se fixou nos 0,51%. Isto significa que numa renda de 500 euros mensais, os inquilinos vão pagar mais 2,55 por mês - este aumento é menos de metade do aumento de 1,15% registado pelas rendas no início de 2019.

De acordo com a lei, os senhorios estão obrigados a comunicar aos inquilinos a sua intenção através de carta registada com aviso de receção ou, em alternativa, entregue em mão contra assinatura de um documento que o comprove, sempre com indicação do novo valor da renda arredondado para o cêntimo superior, se for o caso.

Outro cenário diferente é o valor que possa vir a querer ser cobrado nos novos contratos pelos senhorios - fora dos programas de arrendamento acessível, que estão balizados por regras diferentes. As rendas das casas por metro quadrado aumentaram 3,4% em novembro passado face ao mesmo mês de 2018. Açores, Centro e Lisboa foram as regiões com aumentos mensais mais elevados, segundo os dados divulgados pelo INE.

Taxas de juro baixas, mas comissões bancárias mais altas

O cenário de baixas taxas de juro deverá manter-se - os contratos futuros da Euribor, que surgem negativos até meados de 2025. Isto são boas notícias para quem tem de pagar uma prestação ao banco pelo crédito à habitação, porque corresponde a uma redução na componente dos juros, baixando o valor total a pagar todos os meses.

Por outro lado, a banca tem vindo a desencadear uma guerra de spreads que é benéfica para quem contrata um financiamento para a compra de casa - desde o final de 2015 -, o "spread" médio do crédito da casa já caiu mais de 40% e este é um movimento que deverá continuar este ano, ainda que de uma forma menos agressiva. 

Mas a relação com o setor financeiro vai ter outro amargo de boca este ano, a nível das comissões. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) deu o tiro de partida este ano com o anúncio de um agravamento, e o EuroBic também já fez saber que vai subir preços. Em termos globais, o setor tem vindo a agravar o custo dos serviços prestados aos clientes e é de esperar que vá a mais. Isto, além de pesar nas contas a vários níveis para os clientes bancários, também tem efeitos no valor total a pagar do empréstimo da casa. 

Faturas de IMI e IMT mudam este ano

Ao longo de 2019, foi feita a revisão dos coeficientes de localização que são usados para determinar o valor patrimonial dos imóveis que entram para o cálculo do IMI. A proposta de revisão foi entregue ao Governo pela Comissão Nacional de Avaliação de Prédios Urbanos e agrava o coeficiente nos grandes centros urbanos, como Lisboa e Porto. Mas a aplicação não é automática, ocorrendo apenas para imóveis novos ou que tenham sido alvo de obras de modificação ou reconstrução, ou ainda na sequência de uma nova avaliação.

Na proposta do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020) é introduzida uma nova taxa de IMT de 7,5% para imóveis com um valor superior a um milhão de euros, mas ainda está dependente da aprovação do documento. 

Luz mais barata no mercado regulado

As tarifas da eletricidade vão baixar 0,4% para os clientes do mercado regulado, segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). Esta variação, para uma família com uma fatura na ordem dos 44 euros, traduz-se num alívio de 18 cêntimos.

Apesar de esta descida servir apenas para o mercado regulado de energia, a descida de 0,4% serve de referência para as empresas do mercado liberalizado, sendo que neste caso cada comercializador fixará os seus tarifários, podendo alguns deles subir e outros descer, em função dos respetivos custos de aquisição de energia e de políticas comerciais mais ou menos agressivas.

Para os clientes com tarifa social, a poupança deverá rondar os 11 cêntimos numa fatura mensal de 27 euros, que já integra um desconto social mensal de 17,78 euros.

Gás Natural mantém preço

As tarifas do gás natural foram aprovadas pelo regulador, em maio de 2019, para os cerca de 280 mil consumidores que “permanecem no comercializador de último recurso. Esta redução de 2,2% para clientes finais com consumo inferior ou igual a 10 mil metros cúbicos aplica-se entre outubro de 2019 e setembro de 2020, o que faz com que neste início do ano não se registem alterações.

Água mais cara

A conta da água não é igual em todo o país e difere de município para município, sendo que o preço para as famílias depende da decisão das entidades que gerem diretamente os sistemas de abastecimento ao cliente final.

Na EPAL, que serve a região de Lisboa, os clientes domésticos enfrentam em 2020 aumentos entre 1,9% e 2,4%, segundo a proposta da empresa, já ratificada pelo regulador setorial. A ERSAR também já aprovou alguns tarifários para sistemas multimunicipais de distribuição de água que se traduzem em preços ligeiramente mais baixos que os de 2019 (por exemplo, na Águas do Douro e Paiva).

Telecomunicações com faturas para todos os gostos

Parece ser que 2020 vai ficar marcado por uma oferta competitiva, com campanhas divergentes, entre as operadoras de telecomunicações. A Meo vai promover um aumento mínimo de 50 cêntimos e a Nos subirá o preço de alguns serviços. Já a Vodafone e a Nowo garantem que não haverá subida dos preços por si praticados.