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Projeto imobiliário para transformar antigo Hospital da Marinha travado em tribunal

Imóvel em Lisboa foi vendido pelo Estado a um investidor francês, para ser convertido num complexo de hotelaria, habitação e comércio.

Stone
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Autor: Redação

Localizado no Campo de Santa Clara, em Lisboa, o antigo Hospital da Marinha foi vendido em 2016, por 17,9 milhões de euros, à Stone Capital. A sociedade de capitais franceses, detida pelos irmãos Geoffroy e Arthur Moreno, tem como objetivo construir ali um complexo de hotelaria, habitação e comércio, mas agora o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa mandou suspender os trabalhos.

Isto porque, tal como conta o Público, o Tribunal decidiu aceitar a providência cautelar que a Associação de Defesa do Património Cultural Edificado de São Vicente (ADPEV) interpôs contra o projeto, aprovado pela Câmara de Lisboa para o antigo Hospital da Marinha, e que é assinado pelo arquiteto Samuel Torres de Carvalho (responsável pelas obras no Palácio de Santa Helena, também da Stone). 

A recém-criada associação, detalha o jornal, opõe-se à construção de dois edifícios novos ao lado do antigo hospital, argumentando que isso não respeita as normas do Plano Diretor Municipal (PDM) sobre os imóveis e conjuntos arquitetónicos que constam na Carta Municipal do Património. O Hospital da Marinha integra esta carta.

A origem dos problemas

Para a associação, os princípios do PDM foram postos em causa quando a câmara, por despacho do então vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, aprovou o projeto com construções novas e não apenas com a recuperação do imóvel original. “Nós não temos nada contra a reabilitação do antigo Hospital da Marinha e da antiga escola adjacente, desde que sejam feitos com respeito ao legado patrimonial, exterior e interior. O que contestamos é a construção de prédios novos ao lado”, sublinha Catherine Morisseau, dirigente da ADPEV, citado pelo diário.

O edifício em que funcionou o hospital, aberto em 1806 e encerrado definitivamente em 2015, tem perto de 15 mil metros quadrados e sete pisos. Tem entrada pelo Campo de Santa Clara e uma extensa frente para a Rua do Paraíso, mas só se percebe a sua verdadeira dimensão descendo a Calçada do Cardeal. Nas traseiras do imóvel oitocentista, de onde se vê Santa Apolónia, o Tejo e o Terminal de Cruzeiros, foram construídos vários corpos no século XX que a Stone quer agora demolir, segundo indica o Público.