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Construção dá novas provas de imunidade à Covid-19 com quebras no número de insolvências

Em causa estão dados de agosto do mais recente relatório da Iberinform, filial da Crédito y Caución.

Photo by Szabo Viktor on Unsplash
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Autor: Redação

Os impactos negativos da pandemia da Covid-19 no número de insolvências e constituição de empresas no país continuam a ser evidentes - as insolvências aumentaram 64,5% em agosto, face a igual período do ano passado, e as novas aberturas continuam em queda. Ainda assim, e numa espécie de contraciclo, o setor da construção e obras públicas destaca-se pela forma positiva como tem conseguido “escapar” à crise. Este segmento de negócio nunca parou, mesmo no período mais crítico do surto, e até conseguiu crescer, como já foi confirmado pelo INE. Foi também a única atividade a registar uma diminuição de 4,4% no número de empresas insolventes, até ao passado mês, se comparado com o período homólogo de 2019, segundo mostram os dados do mais recente relatório da Iberinform, filial da Crédito y Caución.

O comportamento da construção constrasta com os demais setores, uma vez que, e ao contrário da última crise em que foi dizimada, se destaca por um desempenho mais positivo. Dados recentes do Instituo Nacional de Estatística (INE) mostram, por exemplo, que tanto o VAB (valor acrescentado bruto), como o investimento da construção se mantiveram em alta, seguindo a linha de trajetória de crescimento que se registava em Portugal até ao primeiro trimestre de 2019, tal como o idealista/news noticiou.

De acordo com o INE, o investimento em construção em Portugal, entre abril e junho, fixou-se nos 4.744 milhões de euros, uma subida superior a 300 milhões face ao mesmo período em 2019 e ao valor mais elevado desde 2011.

Insolvências disparam mais de 64%, mas construção "escapa"

Em agosto passado, registou-se em Portugal um aumento de 64,5% nas insolvências, com 199 empresas a fechar portas, ou seja, mais 78 que no período homólogo de 2019. Segundo a Iberinform, no acumulado do ano o aumento é de 10,6%, com um total de 3.342 insolvências, mais 319 que no mesmo período do ano passado. Em termos geográficos, os distritos do Porto e de Lisboa são os que apresentam o maior número de insolvências: 836 e 697, respetivamente.

Face a 2019, verifica-se uma subida de 13,1% em Lisboa e de 9,3% no Porto. Os crescimentos homólogos mais significativos verificam-se em: Angra do Heroísmo (+50%), Castelo Branco (+50%), Faro (+43,2%), Viana do Castelo (+39,5%), Évora (+29,6%), Beja (+29,4%), Ponta Delgada (+27,8%), Madeira (+25,4%) e Santarém (+14,7%).

No sentido oposto, apresentam decréscimos os distritos da Guarda (-25%), Vila Real (-20%), Coimbra (-19,8%) e Viseu (-1,4%). Apenas a Horta mantém valor idêntico a 2019: quatro insolvências.

Por setores, a construção e obras públicas é a única atividade que regista uma diminuição de 4,4% no número de empresas insolventes face a 2019. Os maiores aumentos encontram-se nas áreas de Telecomunicações (+66,7%), Hotelaria e Restauração (+29,2%), Outros Serviços (+20,5%), Eletricidade, Gás, Água (+16,7%), Comércio por Grosso (+15,7%) e Comércio de Veículos (+12,5%).

Abertura de novas empresas continua em queda

A constituição de novas empresas em agosto teve uma quebra de 10,2%, diminuindo de 2.920 em 2019 para 2.621 em 2020, ou seja, menos 299 novas constituições. No acumulado do ano a descida é de praticamente 30%. 

“Lisboa mantém a liderança, com 7.558 novas empresas, valor que traduz, contudo, um decréscimo de 33,6% face aos primeiros oito meses de 2019. O Porto regista 4.334 novas constituições, menos 30,6% que no ano passado”, refere a Iberinform no relatório divulgado.

Todos os distritos apresentam decréscimo nas constituições, com as descidas mais significativas a registarem-se em: Aveiro (-39,5%), Setúbal (-35,5%), Angra do Heroísmo (-33,3%), Ponta Delgada (-33,2%), Faro (-33%), Madeira (-31,8%), Leiria (-30,2%), Viana do Castelo (-28,2%), Coimbra (-27,2%), Guarda (-24,1%), Braga (-23,3%), Horta (-22,2%), Beja (-21,7%), Évora (-21,5%), Santarém (-20,6%), Viseu (-20,4%) e Castelo Branco (-19,3%).

Neste caso, e no que às novas aberturas diz respeito, todos os setores registaram quebras face ao período homólogo.