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Construção escapa à crise económica gerada pela pandemia da Covid-19

O setor nunca parou e o investimento até cresceu, em contraciclo, com a ajuda de obras públicas, mas também de projetos privados.

Photo by SAMS Solutions on Unsplash
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Autor: Redação

A Covid-19 contagiou a economia portuguesa de uma forma generalizada. O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta semana que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre foi de 16,3% em termos homólogos e de 13,9% em cadeia, impactados por fortes quebras no consumo e no investimento. A área de bens alimentares foi a única componente de consumo privado que se manteve imune neste período, com a maior subida desde 1999 (+4,7% para 6.255 milhões de euros). E a nível setorial é a construção que se destaca pela positiva.

Sem ter parado nestes meses, por causa do novo coronavírus, e ao contrário do que aconteceu na anterior crise em que foi uma das principais vítimas, a construção tem estado a resistir à crise pandémica sem cair, e até a conseguir crescer. 

Tanto o VAB (valor acrescentado bruto), como o investimento da construção se mantiveram em alta, seguindo a linha de trajetória de crescimento que se registava em Portugal até ao primeiro trimestre de 2019, e que foi invertida de forma abruta pela pandemia na generalidade dos setores de atividade.

A economia nacional sofreu uma degradação homóloga de 10,8% no investimento total (privado e público) no segundo trimestre (e de -3,5% no trimestre anterior), acompanhada por uma diminuição de 9,0% na formação bruta de capital fixo (FBCF). Mas o INE realça que "o comportamento das diversas componentes da FBCF foi muito heterogéneo". 

No caso da construção este indicador "acelerou, passando de uma variação homóloga de 2,5% para 7,5% no 2º trimestre, segundo indica. 

Este desempenho positivo registado a nível nacional contrasta “com o verificado em vários países da União Europeia, onde o setor da construção terá também sido muito afetado pelo impacto negativo da pandemia Covid-19″, tal como destaca o INE.

Em concreto, o investimento em construção em Portugal, entre abril e junho, fixou-se nos 4.744 milhões de euros, o que corresponde a uma subida superior a 300 milhões face ao mesmo período em 2019 e ao valor mais elevado desde 2011.

Nas restantes componentes, verifica-se uma contração do investimento em equipamentos de transporte (69,9%), noutras máquinas e equipamentos (-22,4%) e nos produtos de propriedade intelectual (-5,2%).

O VAB a preços base registou uma taxa de variação homóloga de -15,1% no segundo trimestre de 2020, em termos reais (-2,2% no trimestre anterior). Para esta contração, destaca-se a evolução negativa do VAB dos ramos Comércio e Reparação de Veículos e Alojamento e Restauração, que diminuiu 27,5% em termos homólogos (taxa de -5,4% no primeiro trimestre),

Por sua vez, "o VAB da Construção acelerou para uma taxa de variação homóloga de 5,1% em volume no segundo trimestre (1,8% no trimestre anterior), tendo o respetivo contributo para a variação do VAB total aumentado de 0,1 p.p. para 0,2 p.p.", aponta o INE.