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Teixeira Duarte com novo líder – qual é agora o rumo para a construtora?

Manuel Maria Teixeira Duarte assumiu formalmente a presidência do grupo, que era liderado pelo primo Pedro Maria desde 2009.

Foto de Igor Starkov no Pexels
Foto de Igor Starkov no Pexels
Autor: Redação

É uma das maiores construtoras em Portugal e tem um novo líder. Manuel Maria Teixeira Duarte assumiu formalmente na sexta-feira, 8 de outubro de 2021, a presidência do conselho de administração do grupo Teixeira Duarte, que até junho era liderado pelo seu primo Pedro Maria. Ao que tudo indica, este será, também, um novo ciclo em termos de estratégia de mercado.

Recorde-se que a centenária Teixeira Duarte fechou os primeiros seis meses do ano com um prejuízo de 19,9 milhões de euros, face ao resultado líquido negativo de 5,4 milhões no período homólogo, de acordo com o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O grupo justicou esta quebra devido à “retração da economia afetada pela continuada situação de pandemia Covid-19, bem como da desvalorização do Kwanza Angolano e do Real Brasileiro”.

Ainda assim, segundo o relatório e contas, tal como noticiou o idealista/news, em Portugal "o grupo conseguiu crescer, alcançando 139.310 milhares de euros, o que se traduz num aumento global de 5.479 milhares de euros, com o crescimento do imobiliário a compensar o forte impacto negativo que a situação de pandemia covid-19 teve no setor hoteleiro".

O grupo que está agora a rejuvenescer a sua liderança é, tal como recorda o Jornal de Negócios, hoje mais pequeno do que quando Pedro Maria passou a ocupar a cadeira do poder: em 2009, apresentou lucros de 116 milhões de euros e um volume de negócios de quase 1,3 mil milhões; em 2020, teve resultados líquidos de 3,6 milhões e uma faturação de 608 milhões.

Foi há 12 anos que o pouco conhecido e muito reservado Pedro Maria Teixeira Duarte, agora com 67 anos, substituiu o pai (também Pedro), que invocou então também motivos de natureza pessoal, mas por ter completado 90 anos de idade, 62 dos quais ao serviço da empresa. 

Que estratégia para o futuro?

O novo líder é de uma geração mais jovem da mesma família e, apesar de a confirmação só ser dada agora pela assembleia geral, já há mais de um ano que tinha tomado as rédeas da Teixeira Duarte.

Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa em 1989, Manuel Maria era desde 2009 membro independente do conselho de administração da Teixeira Duarte, ocupando ainda a presidência de um conjunto de sociedades do grupo entre as quais a Teixeira Duarte - Engenharia e Construções ou a Teixeira Duarte - Gestão de Participações e Investimentos Imobiliários. Quem o conhece diz que é menos reservado e mais disponível do que o primo, mas igualmente avesso à exposição mediática, conta ainda o Jornal de Negócios.

A crise nas obras públicas é uma realidade. Nos últimos anos, o mercado tem sido caracterizado por adjudicações de projetos a preços mais baixos, e com muitos concursos a ficarem desertos pelo facto de não ser possível dar resposta aos preços pedidos. A concorrência das construtoras espanholas também agravou a situação.  

Analistas ouvidos pelo Expresso consideram, por isso, que a construção civil e o imobiliário deverão ser os principais eixos de aposta da empresa. Além da marca ser reconhecida no setor da construção (algo que permite absorver diferenciais de preços), também está neste momento a investir em grandes projetos imobiliários no país, como por exemplo o 1921, na antiga fábrica Simões e Companhia – Avenida Gomes Pereira, em Benfica, ou a Quinta de Cravel e o River Plaza, em Gaia. 

Outro aspeto importante é o tema da política de alianças. De acordo com os analistas, este é um aspeto determinante para fazer face às grandes obras e sobreviver no mercado global. À exceção da Mota-Engil, com quem celebrou uma “aliança histórica”, a consolidação neste campo ainda é incipiente, sendo esta, por isso, uma das principais incógnitas de mercado.

A construtora também aposta forte no mercado internacional, um setor que sofreu bastante com o impacto da pandemia, e que por isso se apresenta, também, como um grande desafio. Estima-se que a atividade terá recuado na ordem dos 34,5% em 2020. Brasil e Angola, os seus principais mercados externos, foram bastante penalizados, com variações de 41% e de 27,6%, de acordo com o mesmo jornal.