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Mota-Engil e Teixeira Duarte juntas para fazer frente à "hegemonia" das construtoras espanholas

As construtoras nacionais alinharam forças num concurso para a ferrovia de 105 milhões de euros e travar concorrentes da vizinha Espanha.

Photo by Kari Shea on Unsplash
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Autor: Redação

As duas maiores construtoras portuguesas, Mota-Engil e Teixeira Duarte, decidiram juntar-se num concurso de 105 milhões de euros para o quarto e último contrato ferroviário do corredor internacional sul, entre Évora e a fronteira. O objetivo é conseguir pôr um travão às vitórias consecutivas das empresas espanholas, que têm vencido a maioria dos grandes projetos de obras públicas em Portugal nos últimos anos.

Esta é, de resto, a primeira vez em muitos anos que duas as construtoras nacionais alinham forças na corrida a uma empreitada. Segundo o Jornal de Negócios, que avança a notícia, o agrupamento da Mota-Engil e Teixeira Duarte é um dos nove concorrentes à empreitada de via e catenária entre Évora e Elvas/fronteira e da construção civil do subtroço Évora-Évora Norte.

A entrega das propostas neste concurso lançado pela Infraestruturas de Portugal (IP) aconteceu em setembro, e de acordo com a mesma publicação, o melhor preço foi oferecido pelo consórcio da espanhola FCC Construccion, de menos de 83 milhões de euros, ou seja, 21% abaixo do valor de base do concurso. Logo a seguir a espanhola Sacyr, com uma oferta de 85,9 milhões de euros e, depois, o consórcio Mota-Engil – Teixeira-Duarte, com uma proposta abaixo dos 87 milhões de euros.

Explica ainda o Negócios que o concurso tem como critério de adjudicação a melhor relação qualidade-preço, pesando a valia-técnica 50% na ponderação e o preço os outros 50%, o que quer dizer que as duas construtoras nacionais, apesar de estarem em terceiro lugar em termos de preço, ainda disputam a corrida, caso apresentem a melhor proposta técnica.

António Costa quer mais construtoras portuguesas nas obras públicas

O primeiro-ministro, António Costa, também já veio frisar a necessidade e importância de ter mais empresas nacionais nas empreitadas do país. O governante pediu, de resto, às construtoras, para que não deixem que sejam as empresas estrangeiras a tomar conta das grandes obras públicas previstas no Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030), que o Governo apresentou esta quinta-feira, 22 de outubro de 2020, em Lisboa, segundo a notícia do jornal Público.

O líder do Executivo espera que estas obras públicas “possam ser também uma forma de robustecer e muscular” a indústria da construção nacional, e que não sejam “simplesmente externalizadas” para empresas estrangeiras. O primeiro-ministro sublinhou ainda que o setor da construção nacional, “que está a fazer um esforço sério de recuperação”, não pode ficar à margem do PNI 2030 e deixou um apelo “a que se mobilizem desde já para este novo ciclo de investimento que temos de começar”.

O PNI 2030, com investimentos programados em “três dimensões fundamentais de combate às alterações climáticas” (transportes, transição energética e água/regadio), já conta com um “parecer do Conselho de Obras Públicas” e “está em condições de ser executado”, ainda segundo as palavras de António Costa, citado pela mesma publicação.