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Frente Ribeirinha, a próxima zona top de Lisboa

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Autor: Redação

O mercado imobiliário obteve resultados históricos nos últimos anos. Só em 2014, na área de investimento e promoção, registou-se um volume de negócios superior a 850 milhões de euros, quase o triplo do verificado no ano anterior. Para 2015, as perspetivas também são otimistas, garante Francisco Horta e Costa, diretor geral da consultora imobiliária CBRE. Faltam, no entanto, grandes áreas de escritórios, as mais procuradas pelos investidores neste segmento. A Zona Ribeirinha pode ser a solução.   

“Em 2015 vai continuar a vaga de investimento no mercado imobiliário português”, adianta Francisco Horta e Costa, acrescentando que “há uma maré de investimento muito significativa em Portugal em todos os setores do imobiliário”. 

De acordo com o responsável, que falava durante a apresentação de resultados da CBRE – conseguiu em 2014 os melhores dos últimos sete anos –, a “reabilitação urbana é uma tendência que veio para ficar”. “Lisboa está a mudar de face. Daqui a alguns anos não iremos conhecer o centro da capital”, diz o gestor.

"Daqui a alguns anos não iremos conhecer o centro da capital"
Francisco Horta e Costa 

No que diz respeito à área de investimento e promoção, o mercado imobiliário nacional registou um volume de negócios de 850 milhões de euros, quase o triplo de 2013. As vendas a investidores estrangeiros foram muito significativas. Só a CBRE realizou vendas superiores a 30.000 metros quadrados (m2) a chineses, num total de transações de 61.000 m2. Em, o número pode aumentar e chegar aos mil milhões de euros, perspetivou Francisco Horta e Costa.

Crescimento homólogo de 61% nos escritórios

O segmento de escritórios foi um dos que mais cresceu no ano passado, tendo registado um crescimento na absorção de 61% face a 2013. Ao todo, foram ocupados 126.000 m2, revela a CBRE. Segundo Francisco Horta e Costa, os números já se aproximam dos registados antes da crise e “vai continuar a haver muito interesse em edifícios de escritórios”. 

O problema é que a oferta existente de grandes espaços em Lisboa começa a ser escassa, sobretudo para os investidores estrangeiros. “Em 2015 há pouca oferta, o que cria obstáculos a multinacionais. Faltam edifícios de última geração e com grandes áreas. No Parque das Nações, por exemplo, não há. Se não se fizer alguma coisa corre-se o risco de perder alguns destes projetos”, conta André Almada, responsável da CBRE pela área de escritórios, salientando que a absorção de escritórios deve ser inferior à verificada em 2014.

Este é um problema, no entanto, que pode ter solução. Em causa está o potencial existente na Zona Ribeirinha da capital, quer no Cais do Sodré, onde está a ser construída a nova sede da EDP, quer no Terreiro do Paço, quer em Santa Apolónia. “A Zona Ribeirinha é uma futura zona de expansão, é uma zona de desenvolvimento natural. Vai haver mais empresas nessas zonas e há imóveis que vão ser intervencionados. Será o início de uma tendência nos próximos anos”, prevê Francisco Horta e Costa. 

"A Zona Ribeirinha é uma futura zona de expansão, é uma zona de desenvolvimento natural"
Francisco Horta e Costa

Negócios no turismo animam setor

Este ano pode também ficar marcado pela conclusão de grandes negócios no setor do turismo. “Alguns resorts no Algarve e na costa alentejana serão provavelmente transacionados, comprovando o interesse dos investidores internacionais neste tipo de produto em Portugal, reconhecendo o seu potencial no mercado turístico europeu”, refere Francisco Horta e Costa. 

Já Eduardo Abreu, consultor da Neoturis, empresa de consultoria em hotelaria e turismo, parte do grupo CBRE, revela que podem ser confirmadas já no primeiro trimestre transações importantes que valem centenas de milhões de euros. Entre elas está a venda dos Hotéis Tivoli – a cadeia entrou em Processo Especial de Revitalização e o futuro dos 12 hotéis está em aberto, cabendo à gestão de insolvência da Rioforte a decisão final –, da Lusort – empresa detida por espanhóis que gere os ativos imobiliários de Vilamoura e ainda a concessão da marina – e do empreendimento turístico Vale do Lobo – a CGD é detentora de 25% do complexo e credora de, pelo menos, 300 milhões de euros de dívida do projeto.