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Keller Williams: “Se vivesse em Portugal não pensaria duas vezes em investir no imobiliário”

A Keller Williams (KW), uma das maiores mediadoras imobiliárias dos EUA – é líder no mercado norte-americano desde o final de 2013 –, chegou a Portugal em setembro de 2014, tendo iniciado atividade com um “market center” no Campo Pequeno, em Lisboa. Agora, um ano depois, expandiu a sua rede e tem 11 espaços de Norte a Sul do país, contando com 587 agentes. “Tem sido feito um trabalho fantástico em Portugal”, confidenciou Chris Heller, CEO da KW, ao idealista/news. 

O responsável, que esteve em Portugal no início de setembro nas comemorações do primeiro aniversário da multinacional no país, deixou a garantia de que “a operação portuguesa está a corresponder ou até a superar as expectativas”.  

A KW entrou no mercado nacional há um ano, em setembro de 2014. Foi uma aposta ganha? Como está a ser a experiência?
Tem sido um ano muito bom. Portugal foi o país que teve maior crescimento no ano de implementação. Já temos cerca de 550 agentes [são 587], o que é um recorde quando comparado com o primeiro ano noutro país. Tem sido feito um trabalho fantástico em Portugal, estamos muito orgulhosos com a forma como começámos e com a forma como está a correr a operação.

Esperava obter resultados tão animadores no ano de estreia?
Tínhamos expetativas altas, tendo em conta o trabalho e os resultados que o Eduardo [Garcia e Costa] e o Nuno [Ascensão] já tinham conseguido com a sua empresa [imobiliária Ábaco]. Se esperava estes resultados? A operação está a corresponder ou até a superar as nossas expetativas.

Que futuro terá a KW em Portugal? O que podemos prever?
Podemos antecipar que o futuro será brilhante, sem dúvida.

A KW está implementada em 12 países. Porquê entrar em Portugal?
Não escolhemos Portugal. Reunimo-nos com o Eduardo e com o Nuno e percebemos que eles são o tipo certo de pessoas e de líderes que queremos. E que são pessoas à imagem da KW. A decisão de apostar em Portugal, tal como em outros países, aconteceu porque percebemos que encontrámos os líderes adequados. Agora estamos à procura dessas pessoas em Itália.

A última aposta internacional da KW foi Portugal?
No ano passado entrámos em quatro mercados: Portugal, Costa Rica, Espanha e México. E há duas semanas [em agosto] anunciámos três novos países: Belize, Colômbia e Xangai (China). Na Europa estamos em Portugal, Espanha, Turquia e Reino Unido.

Preveem expandir o negócio para outros países europeus
Definitivamente. Estamos em conversações com um grupo alemão... O objetivo é estar em todos os países europeus.

"Acredito que haverá mais de 30 'market centers' em Portugal. O objetivo é crescer o mais rapidamente possível, mas sempre com a ideia de entrar no negócio com as pessoas certas. Esta é a nossa forma de agir"

Diz-se que Portugal está na moda. E que Lisboa e Porto são cidades muito “cool” para se viver. É este o “feedback” que se tem do país nos EUA?
Não sei... há muitas cidades na Europa que as pessoas gostariam de conhecer. Quando visitei Portugal pensei que gostaria de ficar próximo do país e até que poderia comprar casa, isto se tivesse oportunidade e tempo de vir cá com mais frequência. É um ótimo país e um ótimo mercado atualmente para o setor imobiliário, mas não sei se é exatamente esse tipo de mensagem/ informação que chega aos EUA.

Sobre a KW Portugal. Já há, em apenas um ano, 11 “market centers”. Este número tende a aumentar?
Acredito que haverá mais de 30. O objetivo é crescer o mais rapidamente possível, mas sempre com a ideia de entrar no negócio com as pessoas certas. Esta é a nossa forma de agir.

Portugal é, depois da África do Sul, o segundo país com mais agentes KW do mundo [entretanto já tem mais] e um dos que tem mais “market centers". São dados muito positivos, presumo?
Portugal pode até já ter ultrapassado a África do Sul em número de agentes [já ultrapassou, 587 contra 580]. São números muito bons para a operação portuguesa. E tal feito foi conseguido em menos de um ano. Na África do Sul, por exemplo, começámos há dois anos. É espantoso. Lancei esta manhã [dia 2 de setembro] um desafio aos agentes [da KW Portugal]: atingir mil consultores até fevereiro de 2016, altura em que se realiza a Family Reunion, em Nova Orleães [uma importante convenção de formação e networking organizada pela KW anualmente]. Adorava que o conseguissem fazer, mas é um grande desafio.  

O que leva um agente imobiliário a optar por trabalhar na KW e não noutra empresa?
A resposta é igual nos EUA, na Turquia, em Espanha, etc. Nós somos uma empresa que treina e forma pessoas. Gary Keller [cofundador da KW] é autor, é professor e é também agente imobiliário. Todas as pessoas que lideram a KW são agentes, e nós entendemos os agentes porque somos agentes. Por nos focarmos tanto no treino e formação oferecemos a quem trabalha connosco, aos nossos agentes, mais hipóteses de serem bem-sucedidos. Um agente consegue “obter” mais aqui que noutras empresas. Não é que os outros tenham pouca formação, mas nós aprofundamos muito mais este tema. Há uma segunda resposta à pergunta, que tem a ver com a cultura da empresa. E isto é algo que não é fácil de explicar, é algo que tem de ser experenciado, mas há um “felling” diferente em trabalhar na KW.

Mas qual é essa grande diferença?
Aqui os agentes sentem mais que esta empresa também é sua. Partilhamos o nosso crescimento com eles, partilhamos decisões com eles. E depois “tratamos bem” os agentes. Quando alguém tem um problema ou um desafio para ultrapassar ajudamo-lo, fazemos coisas enquanto empresa que muitas outras não fazem.

"Na KW os agentes sentem mais que esta empresa também é sua. Partilhamos o nosso crescimento com eles, partilhamos decisões com eles"

Considera, tendo em conta a sua experiencia, que esta é uma boa altura para comprar casa. Ou arrendar é um melhor negócio?
É uma ótima altura para comprar casa. Portugal, como outros países, passou um momento complicado com a crise económica e financeira, mas agora parece que a situação estabilizou e as coisas agora parecem estar a ir noutra direção. Pode então ser a melhor altura para comprar. Se vivesse aqui não pensaria duas vezes e investiria no setor imobiliário. Mais: se tivesse um filho que vivesse aqui ou tivesse de aconselhar alguém diria o seguinte: “Se puderes comprar, compra, sem dúvida”.

Já que estamos a falar de conselhos, se alguém quiser trabalhar na KW o que lhe pode dizer?
A primeira coisa que diria é para tirarem proveito das ferramentas e da formação que damos. Se não usarem bem as dicas, os conselhos e as ferramentas que damos estas acabam por não ter grande valor. Têm de ter capacidade de absorver e pôr em prática os ensinamentos que damos, a experiência que oferecemos.