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Vía Célere: "Em Portugal há uma grande oportunidade no mercado residencial"

Autores: Tânia Ferreira, @jone

Líder no negócio de promoção imobiliária em Espanha, a Vía Célere decidiu agora apostar em Portugal. "Sem medo" dos preços atualmente praticados e "confiante" nas "oportunidades que o mercado nacional oferece no segmento residencial", a empresa está focada em Lisboa e Porto, onde está já a desenvolver empreedimentos imobiliários. Na primeira entrevista dada em Portugal, a diretora geral de negócio, Maria Teresa Marzo, conta ao idealista/news os planos da Vía Célere a nível local.

Como aconteceu a vossa entrada no mercado nacional?

Há cerca de ano e meio, a Vía Célere foi comprada por um fundo internacional - Värde Partners - que previamente tinha comprado uma promotora, a Parque Sol, que por sua vez vinha da San José Desarollos Inmobiliarios e trazia ativos em carteira. Desta forma, quando nos fundimos com Dospuntos - depois de termos sido comprados pelo fundo Värde - fizemos uma análise de todo o portfólio para ver o que meter em marcha, havendo ativos em Portugal.

E o que vos levou a decidir avançar e a investir em Portugal?

Portugal agora mesmo é muito interessante para os investidores internacionais, uma vez que está a ter um crescimento económico sustentável ao longo dos últimos cinco anos. Por outro lado, a nível do mercado residencial - onde nós operamos - consideramos que há uma grande oportunidade de investimento, porque nos últimos anos o setor ainda não conseguiu desenvolver a habitação suficiente para a procura que existe, sobretudo por parte da população local, mas também dos investidores.

"Há uma grande oportunidade, porque nos últimos anos o setor ainda não conseguiu desenvolver a habitação suficiente para a procura que existe"

Acreditamos, por isso, que há ainda oportunidade de desenvolvimento imobiliário para poder dar resposta ao apetite residencial que há e consideramos que podemos aportar muito ao mercado português, porque exportámos o modelo Vía Célere tal e qual o que aplicamos aqui em Espanha, e que têm funcionado muito bem. 

O que vos distingue da concorrência?

A nossa empresa há muito tempo que se dedica a desenvolver habitação e, nos últimos anos, apostámos com muito êxito, sobretudo, em três áreas: inovação, sustentabilidade e compromisso social, que agora levamos também para Portugal.

A área da sustentabilidade é aquela que mais diretamente afeta o cliente, porque tem a ver com o conforto e a poupança energética - podemos chegar a 89%. Estamos mesmo muito empenhados na área da eficiência energética e desde há cinco anos que todas as nossas casas são de tipo A, quando isso em Espanha ainda não é obrigatório. Para conseguir esta classificação melhorámos todos os isolamentos térmicos dos imóveis e as qualidades dos materiais.

"Há muito anos que nos dedicamos à habitação. Estamos muito empenhados na área da eficiência energética e na qualidade do produto. E os clientes reconhecem este valor"

Além disso, estamos muito empenhados na qualidade do produto e em oferecer um conceito de zonas comuns muito bem desenvolvido e que aplicamos adhoc para cada promoção. Constatamos que hoje em dia os clientes mais do que uma casa procuram um produto que se compagine com o estilo de vida. E, por isso, por exemplo, oferecemos aquilo a que chamamos a sala social gourmet, que entregamos totalmente equipada, é o nosso produto estrela.

Maria Teresa Marzo, diretora geral de negócio da Vía Célere
Maria Teresa Marzo, diretora geral de negócio da Vía Célere

Quais os projetos que têm em carteira em Portugal?

Estamos a desenvolver a primeira promoção, em Miraflores, Oeiras, nos arredores de Lisboa. Já acabámos a primeira fase, de um total de quatro. Em causa estão quatro lotes que configuram 100 unidades de venda. A ideia é ir desenvolvendo as restantes fases num futuro próximo. A realidade que estamos a encontrar é que a procura pelo produto que nós desenvolvemos é espetacular. O resultado do lançamento da primeira promoção está a ser muito positivo. 

"Estamos a desenvolver a primeira promoção, em Miraflores, nos arredores de Lisboa. Acabámos a primeira fase, de um total de quatro. A procura está a ser espetacular"

Para que tipo de cliente está orientado este empreendimento?

Desde os edifícios, há vistas maravilhosas tanto de Lisboa como do Tejo. É para um segmento de classe médio/médio alto. A tipologia divide-se em casas de três ou quatro quartos, sobretudo, porque entendemos que é este o perfil que as famílias de Lisboa que querem viver perto da cidade - onde devido à subida de preços, que estão a chegar a um nível desorbitado, está a ficar impossível viver - procuram nos arredores. 

Esperamos terminar de entregar as casas em 2023, mas isso dependerá das expetativas do mercado, porque em função das vendas da primeira fase - que está a correr muito bem - talvez adiantemos a segunda.

E têm notado alguma procura por parte de investidores estrangeiros?

Sim, nas unidades mais pequenas de dois dormitórios têm surgido investidores estrangeiros, porque agora mesmo em Portugal vive-se um momento espetacular, em grande medida porque o Governo está a dar bastantes benefícios fiscais aos investidores estrangeiros. Mas quero realçar que, fundamentalmente, o nosso foco está no cliente português.

Além de Miraflores, têm outros projetos?

Sim. Além das quatro fases em Miraflores, com as quais vamos desenvolver um total de cerca de 265 casas, temos um projeto para o Porto, em Grijó. É uma promoção que esperamos lançar brevemente, já estamos a trabalhar no projeto e esperamos que o lançamento aconteça no ano que vem. Estamos agora no processo de licenciamento do lote.

É uma promoção com cerca de 60 casas e a ideia é entregar as chaves em 2021. É o mesmo tipo de projeto de Miraflores: residencial, segmento médio/médio alto, habitação plurifamiliar, em altura, seguindo o mesmo conceito, orientado para famílias em reposição. Ou seja, que necessitam de ir crescendo nas suas vidas, mais uma vez com uma zona importante de zonas comuns.

"Temos outro projeto para o Porto, em Grijó. É uma promoção que esperamos lançar brevemente, com cerca de 60 casas"

Em que balizas de preços estão os dois empreendimentos?

Em Lisboa, o produto que estamos a vender teve uma evolução nos preços desde o momento em que foi lançado até agora. Estamos a falar entre 3.000 e 3.500 euros o metro quadrado (m2).

No Porto ainda não se alcançaram esses valores e podemos estar a falar entre 2.000 e 2.500 euros o m2.

"Desde Portugal chegam-nos muitas oportunidades. Analisamos sempre, mas neste momento estamos concentrados na integração das empresas em Espanha"

Têm outros projetos na calha a nível local?

Além destes dois, temos um terreno na Quinta dos Moinhos em Gaia, que também herdámos, e que é um solo que se diz estar em gestão, para o qual é preciso solicitar licença para fazer um projeto de urbanização. Se o mercado continuar a evoluir como está, a ideia é avançar ali com uma promoção, sendo que neste caso os prazos alargam-se, porque a gestão dos terrenos é complexa. Estamos a trabalhar para ver qual é a melhor alternativa e logo decidiremos o que fazer.

E têm planos para mais?

Desde Portugal chegam-nos muitas oportunidades. Analisamos sempre e quando merecem a pena não temos problema em investir, mas atualmente com o que temos em carteira estamos bem. Até porque neste momento estamos a terminar o processo de integração dos ativos com a outra companhia em Espanha. Temos de fazer uma fotografia exata das localizações que temos e um plano de negócios, para depois vermos com o que podemos avançar.

Uma coisa é clara, a nossa aposta é sempre obra nova residencial, que é o mercado que conhecemos e onde podemos aportar valor e nos sentimos cómodos a trabalhar.

Que zonas geográficas vos interessam em Portugal?

Estamos totalmente focados em Lisboa e no Porto. Nem sequer olhámos para outras regiões. São as zonas que consideramos mesmo muito interessantes, onde o crescimento está a ser espetacular.

"Não temos medo dos preços. Portugal é um mercado muito estável e que está sólido, respondendo à lei da oferta e da procura, como é natural"

Os altos preços praticados nesses mercados preocupam-vos?

Não temos medo. É um mercado muito estável e que está sólido, respondendo à lei da oferta e da procura, como é natural.

Analisando o número de casas que se estão agora a desenvolver, ainda se está bastante abaixo do nível de 2008, antes da crise. Nessa altura, estavam a fazer-se cerca de 60 mil casas de obra nova por ano e agora os estudos apontam para se fechar o ano de 2018 à volta das 50 mil. 

Esta oferta que se espera colocar no mercado deverá fazer com que os preços se moderem. Temos um ponto de partida de não oferta e com procura alta. Isto já está a começar a acontecer em certas zonas e isso é bom para o setor. Porque precisamos de um setor que seja sustentável.

O Governo português anunciou a intenção de criar um mercado de REITs. É algo que vos interesse?

Agora mesmo temos todas as alternativas em cima da mesa. Estamos a trabalhar na integração que é o nosso objetivo fundamental neste momento e, depois disso, a ida para a bolsa é uma alternativa mais.

"Estamos a testar o conceito de 'magic houses' em Madrid, que consideramos ser muito interessante para centros de cidades, onde o m2 é muito caro e há falta de produto"

Em Madrid, lançaram há pouco um empreendimento inovador em que as paredes dos apartamentos se movem... 

Sim. O conceito 'magic house', desenvolvido internamente pela Vía Célere e implementado neste empreendimento, em que pequenos apartamentos  - de cerca de 50 m2 - se adaptem às necessidades dos clientes.

Estes tipos de produtos surgem porque estamos a detetar que as famílias se estão a redifinir. Na prática a ideia é que, em vez de se comprar uma casa de dois quartos e uma sala, exista um espaço diáfono que se pode mover consoante faça falta. Por exemplo, uma pessoa divorciada que tem os filhos a dormir, nessa noite move o tabique e ganha um quarto.

Vão replicar o conceito em algum empreendimento em Portugal?

Consideramos que é um conceito muito interessante para centros de cidades, onde o m2 é muito caro e há falta de produto. Mas de momento estamos a testá-lo nesse empreendimento que acabámos de lançar em Las Rosas, Madrid. Depois vamos fazer um estudo e ver se faz sentido replicar o conceito para outros projetos.