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"O desafio agora é oferecer habitações de qualidade não entrando em loucuras de preços"

João Sousa, CEO do grupo empresarial português JPS Group, em entrevista ao idealista/news.

João Sousa, CEO da JPS Group
João Sousa, CEO da JPS Group

A aposta na construção nova e em projetos para as famílias portuguesas de classe média está no ADN da JPS Group, grupo empresarial português cujo 'core business' é o investimento e promoção imobiliária. A garantia é dada por João Sousa, CEO da empresa, em entrevista ao idealista/news – realizada durante o SIL 2019, que decorreu entre 10 e 13 de outubro. “Temos de perceber a conjuntura de quem está a procurar casa e quanto pode pagar. Temos essa preocupação: ter produtos acessíveis que a classe média consiga pagar”, considera o responsável, a propósito dos desafios que enfrenta agora o setor imobiliário em Portugal. E garante, por isso, que a empresa vai continuar a "apostar na construção nova". Mas com novos conceitos. 

Fale-nos um pouco sobre a evolução dos projetos que a JPS Group tem em carteira, como o Dream Living e o Sky City?

O Dream Living está a ser um sucesso. Temos cerca de 70% dos [90] imóveis vendidos em planta e iniciámos a construção há cerca de três meses. 

Sobre o Sky City, é um empreendimento que surgiu numa altura em que poucos apostavam na construção nova. E nós apostámos. Revelou-se um sucesso. Temos as moradias isoladas e em banda vendidas e cerca de 90% dos 255 apartamentos estão vendidos. É o grande empreendimento que está a ser construído dentro de Lisboa. É um sucesso de vendas e um orgulho, porque quando todos estavam a apostar na reabilitação, nós decidimos ir para a construção nova. E vamos continuar a apostar na construção nova.

Outro projeto que está a ser muito vendido em planta é o Sea View Residence, na Ericeira, um condomínio fechado junto à praia. Iniciámos a construção agora e está 80% vendido.

A aposta na construção nova é, então, para manter...

O nosso caminho tem sido na construção nova, apesar de agora voltarmos um bocadinho à reabilitação, com um novo projeto, o Lapa River [mais informações em baixo], dentro do centro histórico de Lisboa. É um projeto com charme. E porque é que voltamos à reabilitação? Porque acreditamos que ainda há espaço. Mas o mercado precisava de uma reabilitação aliada às novas tecnologias, casas dotadas de alta tecnologia para quem quer viver dentro do centro de Lisboa, apartamentos com todas as comodidades. 

"Vivemos um contexto favorável, mas temos de perceber a conjuntura de quem está a procurar casa e quanto pode pagar. Temos essa preocupação: ter produtos acessíveis que a classe média consiga pagar"

Apostamos na construção nova, mas construção aliada aos novos conceitos, porque queremos dinamizar o mercado com estes novos conceitos. Não vale a pena hoje ter só paredes e tetos. Queremos dar uma experiência, queremos dar vivências às pessoas, e isso não pode ficar só cingido ao espaço que elas têm, o próprio condomínio tem de ter essas ‘facilities’. Queremos trazer qualidade de vida para os nossos conceitos. 

Quem são os compradores? Muitos são portugueses, certo? 

Temos na nossa carteira de clientes, e já são umas centenas de pessoas – podemos dizer que somos a empresa que mais unidades está a colocar no mercado –, várias nacionalidades. Maioritariamente, a nossa carteira de clientes é formada por famílias portuguesas da classe média. E quem compra tem a intenção de viver, mas também temos clientes que face aos produtos, às rentabilidades que oferecem, porque são imóveis comprados em planta e com valorizações acima de 100%, pensam colocá-los depois no mercado. 

Falamos de imóveis que podem custar quanto?

Procuramos fazer o enquadramento dos preços mediante as fases do desenvolvimento do projeto. Sempre sabendo qual é a nossa realidade e quem é que são os nossos clientes, não olhando para especulações. Sabemos até onde é que podemos ir e até quanto é que o nosso cliente por pagar.

Falar do valor do metro quadrado (m2) é injusto, porque se estiver a falar de um condomínio junto à praia, como é o caso do Sea View, o valor do m2 para a classe média, que é a que nos está a comprar, as pessoas estão dispostas a pagar mais que para viver noutra zona. Mas estamos sempre a falar num valor por m2 a rondar os 2.800/3.000 euros, que está ao alcance dos bolsos dos portugueses. E estamos a conseguir fazer isso com muita qualidade.

A provar que o setor vive um bom momento está também o facto de se venderem muitos imóveis em planta...

O setor foi completamente dizimado há 10 anos. Entretanto entrou-se numa situação em que a procura superou, e muito, a oferta. Nós avançámos com essa oferta, daí a colocação no mercado dos nossos produtos acontecer de forma tão rápida. Hoje há mais lançamentos, há mais promotores a apostar na construção nova, e isso é bom para o mercado, havendo equilíbrio entre oferta e procura. 

Vivemos um contexto favorável, mas temos de perceber a conjuntura de quem está a procurar e quanto pode pagar. Temos essa preocupação: ter produtos acessíveis que a classe média consiga pagar. 

Fale-nos um pouco mais dos dois novos projetos da JPS Group, o Lapa River e o Green Valley Oeiras Residence, que foram lançados no SIL 2019?

O Lapa River é um empreendimento com todo o charme de quem vive na Lapa. É uma reabilitação e está dotado de casas de alta tecnologia, ou seja, todas as comodidades estão “na ponta” do telefone. São 10 apartamentos, é um pequeno condomínio. Mais que isso, é chegar a casa e ter um espaço de convívio dentro do próprio condomínio, ter uma piscina, uma área de lazer, coisas que são raras no centro de Lisboa. Daí dizer que fazemos uma aposta em voltar para a reabilitação. Mas sempre com projetos pontuais que se consigam distinguir pela exclusividade.

A empresa tem mais projetos deste género na calha?

Estamos a analisar alguns projetos, mas na reabilitação iremos sempre apostar em situações muito concretas e que consigam trazer algo diferente ao que esteja a ser comercializado no mercado. 

"O desafio [para as promotoras imobiliárias] vai ser oferecer habitações de qualidade não entrando nas loucuras de preços. O grande desafio vai ser construir com qualidade, oferecer conceitos diversos a um preço acessível"

E o Green Valley Oeiras Residences o que trará ao mercado?

Fica em Oeiras [entre Lisboa e Cascais] e é um empreendimento que se distingue pelo conceito em si, que vai ser não ter apenas habitação mas um conjunto de serviços. Vamos ter creche, clínicas, um serviço de apoio ao idoso, ginásio, um espaço de cowork.. Vai ser uma vivência, uma convivência dentro do próprio condomínio. Acreditamos que o futuro do imobiliário vai ter de passar por aí, vamos ter de criar experiências, porque aí é que conseguimos fazer a diferença.

São 160 apartamentos, 4.800 m2 de comércio e serviços. Estes dois empreendimentos, o Lapa River e o Green Valley Oeiras Residence, estão a ser licenciados e acredito que a construção se iniciará no primeiro trimestre de 2020. 

Acredita que a maior parte dos apartamentos serão também comercializados em planta e de forma rápida?

Sim, até porque no Green Valley Oeiras Residence, como é um projeto em planta, vamos fazer um produto financeiro a quem pretender adquirir um imóvel, em que a pessoa dá um valor base de sinal e só com o desenvolvimento a longo prazo é que vai fazendo reforços. Acreditamos que isso vai fazer a diferença.

Uma espécie de cooperativa...

Algo parecido com isso, sim, para que se consiga trazer as pessoas. Não só as que têm muito dinheiro em carteira, mas alguém que planeie ter uma casa a médio prazo consiga comprar essa casa com a qualidade que nós oferecemos. 

"Conseguimos distinguir-nos pela qualidade que conseguimos entregar e pelos preços que praticamos. Tudo isso faz a diferença perante as outras promotoras. E uma outra situação, que é percebermos que temos de trabalhar para o cliente. Isso é fundamental"

O setor imobiliário vive um bom momento e os últimos dados mostram que os preços das casas estão agora a suavizar. Como é que a JPS encara este momento?

O setor está muito mais profissionalizado e atento. Percebemos que as necessidades de hoje não vão ser as mesmas que as que existirão daqui a dois anos. Os promotores cada vez mais se preparam para os desafios que vão surgir, e o desafio vai ser oferecer habitações de qualidade não entrando nas loucuras de preços. O grande desafio vai ser construir com qualidade, oferecer conceitos diversos a um preço acessível. 

O que distingue a JPS de outras promotoras imobiliárias?

Temos de assumir sem qualquer tipo de arrogância que no segmento onde atuamos somos líderes de mercado. Respeitamos todos os parceiros, e é de salutar que cada vez mais apareçam pessoas com qualidade, com competência, que consigam trazer oferta ao mercado dentro do nosso segmento, porque não temos qualquer tipo de receio em relação a esse tipo de concorrência. Toda a concorrência é boa.

E conseguimos distinguir-nos pela qualidade que conseguimos entregar e pelos preços que praticamos. Tudo isso faz a diferença perante as outras promotoras. E uma outra situação, que é percebermos que temos de trabalhar para o cliente. Isso é fundamental.