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Mediadoras imobiliárias estão a sentir o abalo do Covid-19

Dados da Associação dos Mediadores Imobiliários de Portugal (ASMIP) mostram que as mediadoras estão a sentir os efeitos da crise.

Chris Barbalis on Unsplash
Chris Barbalis on Unsplash
Autor: Redação

A Associação dos Mediadores Imobiliários de Portugal (ASMIP) realizou um inquérito – entre 25 e 30 de março de 2020 – às suas 650 empresas associadas sobre o atual momento do setor. As mediadoras mostram-se, no geral, pessimistas face ao impacto da pandemia do novo coronavírus no mercado.

O inquérito conclui, por exemplo, que a procura de clientes para comprar casa caiu 98,4% desde que iniciou o período de isolamento e que mais de matade das empresas inquiridas (56,5%) viram cair por terra todos os negócios contratualizados nas últimas duas a três semanas.

Cerca de 33% das empresas de mediação imobiliária estão com a atividade parada, enquanto 52% se encontram a trabalhar apenas a meio termo, concluindo processos que vinham de trás, mas sem acesso a novos clientes e produtos. Ou seja, 85% das empresas de mediação imobiliária estão paradas ou com a atividade reduzida”, refere a ASMIP em comunicado.

Segundo a associação, 75% das mediadoras não faz visitas nem angariações e a maioria (também cerca de 75%) está em regime de teletrabalho.

“Alguns referem estar a aproveitar o tempo para reestruturar as empresas para a nova realidade, reorganizando ficheiros de imóveis e clientes, contatando-os no sentido de manter a relação viva, e até para reunir virtualmente sempre que tal é necessário”, conclui a ASMIP.

Mais de dois terços das mediadoras (68%) já teve negócios anulados recentemente e a percentagem de não realização de escrituras, por esse motivo, fixa-se nos 46% - 69% foram anuladas pelos cartórios (32%) e pelos clientes compradores (37%).

O inquérito permite ainda concluir que 60% das empresas garante que já está a tomar medidas para conseguir o retorno da atividade, embora a esmagadora maioria aponte para a incerteza latente.

Para Francisco Bacelar, presidente da ASMIP, constata-se a existência de uma “enorme dúvida da classe de mediação perante o futuro, sendo evidente que toda a atividade terá de se reinventar para garantir a sobrevivência e sendo inegável a convicção de que um número considerável de empresas acabará por encerrar”.

“As empresas que sobreviverem passarão por processos dolorosos de controlo de custos, aprendendo a viver com muito menos do que até aqui, uma vez que o mercado se reduzirá significativamente, pelo menos a curto prazo. A seu favor num mercado reduzido, terão o facto de também terem menos concorrência, o que pode ajudar, parcialmente, ao seu ambicionado equilíbrio”, conclui.