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SIGI: nova cotada do imobiliário oferece remuneração anual mínima de 4% aos investidores

ORES Portugal estreia-se hoje na bolsa de Lisboa, com um “free float” de 83%, e num momento marcado pelo cancelamento de dividendos no mercado.

Photo by Jason Briscoe on Unsplash
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Autor: Redação

Num momento em que muitas cotadas portuguesas cancelaram o pagamento de dividendos - devido à crise gerada pela pandemia da Covid-19 - o imobiliário abre a porta a um dos investimentos mais rentáveis no mercado de capitais nacional, com a entrada da primeira Sociedade de Investimento e Gestão Imobiliária (SIGI) na bolsa portuguesa. Oito meses depois do regime estar oficialmente em vigor em Portugal, a Ores está cotada a partir de hoje e promete dar uma remuneração anual mínima de 4% aos investidores.

Lançada no final do ano passado, a SIGI estreia-se com as ações a um preço nominal de 4 euros, o que avalia a empresa em 50,2 milhões de euros, tendo em conta as 12.550.000 unidades colocadas. Esta capitalização bolsista supera o valor de mercado de várias empresas da bolsa portuguesa.

A ORES Portugal é detida em 12% pelo Bankinter e 5,14% pela Sonae Sierra, estando a maioia do capital nas mãos de pequenos acionistas, que controlam 82,86%. Isto significa que a empresa será detida, pelo menos, por mais de quatro dezenas de pequenos investidores, com posições inferiores a 2%.

A lei que enquadra o regime das SIGI determina que estas sociedades têm de distribuir, pelo menos, 90% dos lucros do exercício que resultem do pagamento de dividendos e outros rendimentos, no mínimo, de 75% dos restantes lucros.

Quem pode investir nas SIGI e que ganha com isso?

Neste caso em concreto, “o veículo tem como objetivo uma distribuição anual média de pelo menos 4% sobre o capital investido e um potencial aumento moderado do valor dos ativos”, segundo disse Alexandre Fernandes, “head of asset management” da Sonae Sierra ao Negócios.

O investimento na SIGI destina-se a “todo o tipo de investidores interessados num veículo com exposição ao mercado imobiliário, com contratos de longa duração”, precisou o gestor, dando a conhecer que a “a maioria dos investidores é proveniente de Portugal, seguindo-se Espanha” e que “os pequenos investidores são todo o tipo de acionistas com perfil e interesse em investir numa SIGI dedicada a investimento em ativos de imobiliário, independentemente do volume de investimento”.

A principal característica das novas sociedades de investimento, tal como resume o diário, é o facto de permitir aos pequenos investidores "deterem" uma carteira de ativos, que, por sua vez, pagam um dividendo. Assim, a SIGI investe na compra de uma carteira de imóveis para exploração comercial, que lhe paga dividendos, rendimentos que a sociedade irá distribuir pelos seus investidores. Como está cotada, qualquer pessoa pode investir através da compra de ações. 

Alexandre Fernandes está convencido que "esta parceria estratégica vai certamente permitir dinamizar o mercado de capitais e o mercado de investimento imobiliário português, replicando no nosso país a bem-sucedida experiência desenvolvida em Espanha através da Olimpo Real Estate SOCIMI. Como é normal neste tipo de veículos, após o aumento de capital segue-se uma fase de investimento com aquisições em Portugal e Espanha de ativos imobiliários de qualidade, consistentes com a estratégia de investimento definida para a SIGI“, tal como declarou, por outro lado, ao ECO.

ORES focada em ativos imobiliários comerciais e em imóveis urbanos

O pouco tempo de vida da sociedade e os custos da operação fazem com que a Ores chegue à bolsa ainda com as contas no vermelho, segundo detalha o jornal online. Constituída em novembro do ano passado, os primeiros resultados indicam prejuízos de 246,7 mil euros, que os acionistas vão votar no próximo dia 30 de junho que passem para resultados transitados. Também os capitais próprios são negativos, em 515.250 euros, o que a gestão atribui aos custos de transação relativos ao processo de admissão à cotação na Euronext e comissão de assessoria e colocação de capital.

Após o aumento de capital "segue-se uma fase de investimento com aquisições em Portugal e Espanha de ativos imobiliários de qualidade, consistentes com a estratégia de investimento definida para a SIGI“, precisou o responsável ao jornal online.

A estratégia de investimento está focada em ativos imobiliários comerciais, e em imóveis urbanos, nomeadamente espaços comerciais high street, supermercados e hipermercados, pequenos retail parks, unidades stand alone com arrendatários solventes e contratos de longo prazo e escritórios.

“Após a constituição e o aumento de capital da sociedade, a Ores Portugal já identificou vários ativos imobiliários que poderão fazer parte do seu portefólio de investimento no curto prazo. Estamos a analisar várias oportunidades de investimento, algumas das quais reúnem condições para se incorporarem ao portefólio da Ores Portugal, no curto prazo”, revelou ainda Alexandre Fernandes ao ECO.