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Pandemia acelera entrada de imobiliária 100% digital norte-americana em Portugal

“Estamos muito confiantes no futuro da eXp em Portugal”, diz Guilherme Grossman, responsável pela empresa no país, ao idealista/news.

eXp
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A digitalização entrou em força nas nossas vidas com a pandemia da Covid-19, dando sinais de que veio mesmo para ficar. E a mediação imobiliária também pode ser e/ou ter um modelo de negócio virtual, 100% digital, sendo caso para dizer que as “regras do jogo” estão a mudar no setor. Prova disso é a chegada de novos 'players' ao mercado que seguem estas premissas. “A eXp Realty é uma imobiliária 100% online, o que permite inúmeras vantagens, principalmente para os agentes”, começa por dizer ao idealista/news Guilherme Grossman, Managing Broker Portugal da empresa norte-americana, que é apresentada esta quinta-feira (10 de dezembro de 2020) em Portugal.

Portugal é, de resto, um dos primeiros países a nível mundial a “abrir portas” à eXp, que “é a empresa que mais cresce nos EUA”, segundo Grossman, tendo inaugurado no último mês e meio escritórios virtuais na África do Sul, no México e na Índia. Agora é a vez de Portugal e... França é o “senhor que se segue”. 

Mas quais são, afinal, as vantagens, para os utilizadores, de uma empresa como a eXp? E o que a distingue da concorrência? “O facto de não funcionarmos como franchising também permite uniformizar os métodos de trabalho, o que é uma vantagem competitiva”, comenta Guilherme Grossman, sublinhando que está muito confiante no futuro da eXp em Portugal. “Acreditamos que o mercado precisa de uma solução como a nossa e que os agentes vão perceber as nossas mais-valias e vão querer fazer parte da nossa equipa. Portugal é um mercado muito forte que atingiu níveis de crescimento muito interessantes, por isso as expetativas são altas”, analisa, na entrevista que agora reproduzimos na íntegra.

Guilherme Grossman, responsável pela eXp Portugal / eXp
Guilherme Grossman, responsável pela eXp Portugal / eXp

A eXp consiste num modelo de negócio 100% virtual, certo? Quais as vantagens, para o utilizador, deste tipo de serviços? Porquê?

Sim, a eXp Realty é uma imobiliária 100% online, o que permite inúmeras vantagens, principalmente para os agentes. A primeira vantagem é monetária. O facto de termos custos fixos mensais mais baixos permite-nos remunerar os agentes eXp acima dos valores praticados no mercado, com melhores e maiores comissões, 75% da comissão em vez dos tradicionais 50%. Existe ainda a vertente da independência. Os nossos colaboradores podem trabalhar a partir de casa ou de qualquer outro sítio que lhes seja conveniente porque toda a estrutura assenta num modelo virtual. Esta liberdade permite-lhes uma boa gestão da vida familiar com a profissional e isso é fundamental. Além disso, o modelo digital permite aceder às formações com muita facilidade, a reuniões internacionais com centenas de consultores em simultâneo, ao portfolio de toda a rede mundial, entre outros, tudo à distância de um clique.

O vosso modelo ganhou força com a pandemia?

Curiosamente sim. A eXp está a crescer muito em número de agentes, passou de 23 mil existentes no terceiro trimestre de 2019, para cerca de 40 mil pelo mundo no terceiro trimestre de 2020, e é a empresa que mais cresce nos EUA. Além deste crescimento no país de origem, 2020 foi também o ano que a empresa decidiu começar a sua internacionalização. Nas últimas seis semanas abriram os escritórios virtuais na África do Sul, no México e na Índia e agora em dezembro é a vez de Portugal, seguido da França.   

"Estamos convictos que Portugal também vai reagir muito bem à chegada da eXp e que o modelo virtual vai ser uma mais-valia"
Guilherme Grossman

Em que segmento de mercado se posicionam e que tipos de serviços oferecem, em concreto?

A eXp trabalha essencialmente no segmento residencial e comercial de forma transversal. 

A entrada da eXp na Europa faz-se através de Portugal. A empresa terá um escritório físico? Quantas pessoas integram nesta fase inicial a empresa e a que se deve a escolha de Portugal para iniciar o processo de internacionalização da marca?

Portugal é a porta de entrada para a Europa e o mercado imobiliário é um dos mais interessantes e dos que mais tem crescido nos últimos anos, logo faz todo o sentido que seja uma das principais apostas da empresa quando esta começa a definir o seu plano de internacionalização. Nos últimos anos Portugal abriu as portas ao investimento estrangeiro, sobretudo com os Golden Visa, e isso despertou a curiosidade dos outros mercados para o nosso país. Este está a ser um ano atípico para todos os mercados, mas a eXp manteve o seu plano de expansão e está confiante que Portugal continua a ser uma boa aposta.

"Em Portugal, tal como no resto do mundo, não vão existir escritórios físicos. O escritório é virtual e, com exceção das visitas com clientes aos imóveis, tudo é feito virtualmente"
Guilherme Grossman 

Em Portugal, tal como no resto do mundo, não vão existir escritórios físicos. O escritório é virtual e, com exceção das visitas com clientes aos imóveis, tudo é feito virtualmente. 

Uma vez que a eXp entra em Portugal pela mão da Consultan, a carteiras de imóveis e os recursos humanos da Consultan são integrados na eXp, passando esta a designar-se por Consultan powered by eXp Portugal. 

Em termos de ‘timing’, porque é que este é o ideal para abrir um negócio totalmente online ligado ao setor imobiliário em Portugal?

Tendo em conta a atual pandemia, não sei se este é o momento ideal ou se independentemente da pandemia podemos afirmar que existem momentos ideais. Mas, este foi o ano escolhido pela eXp para conquistar o mundo e os resultados dos países que abriram antes de Portugal comprovam que foi a escolha acertada. Estamos convictos que Portugal também vai reagir muito bem à chegada da eXp e que o modelo virtual vai ser uma mais-valia. 

eXp
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Acredita que o futuro da mediação imobiliária, em Portugal e no mundo, passa por este tipo de modelo de negócio? Porquê?

Sim, acredito. O mundo está em contante mudança e a forma como se fazem os negócios também. Nos últimos meses o mundo assistiu a uma mudança drástica de hábitos de consumo, na forma como interagimos ou como trabalhamos. O digital passou a ser obrigatório no nosso dia a dia e nalguns casos a única forma de subsistir e resistir a esta pandemia. 

"O digital passou a ser obrigatório no nosso dia a dia e nalguns casos a única forma de subsistir e resistir a esta pandemia. Se não fosse a pandemia talvez a mudança não acontecesse tão rapidamente, mas a digitalização é inevitável e a mediação imobiliária também tem de se adaptar para sobreviver"
Guilherme Grossman

Se não fosse a pandemia talvez a mudança não acontecesse tão rapidamente, mas a digitalização é inevitável e a mediação imobiliária também tem de se adaptar para sobreviver.

Que objetivos traçou a empresa em termos de faturação e de carteira de imóveis, por exemplo, para a operação em Portugal em 2021?

Não podemos antecipar objetivos, mas estamos muito confiantes no futuro da eXp em Portugal. Acreditamos que o mercado precisa de uma solução como a nossa e que os agentes vão perceber as nossas mais-valias e vão querer fazer parte da nossa equipa. Portugal é um mercado muito forte que atingiu níveis de crescimento muito interessantes, por isso as expetativas são altas. 

A eXp tem atualmente concorrência em Portugal? Se sim, o que a distingue dessas mesmas empresas?

Não podemos dizer que não temos concorrência, uma vez que o mercado imobiliário em Portugal é muito diversificado. No entanto, a eXp apresenta um modelo muito diferenciador da concorrência, com um conceito 100% virtual e com uma proposta financeira para o consultor muito atrativa. O facto de não funcionarmos como franchising também permite uniformizar os métodos de trabalho, o que é uma vantagem competitiva. Na eXp todos os consultores, após fecharem o primeiro negócio, tornam-se acionistas da empresa, e o facto de todos partilharem o mesmo escritório virtual permite criar um ambiente de cooperação entre os agentes, não só a nível nacional, mas também internacional, com agentes de países diferentes a realizarem negócios em conjunto.